Centenas de VPN falsas no Chrome ainda estão ativas
Mais de 700 extensões falsas para Chrome faziam-se passar por serviços VPN conhecidos e já somam dezenas de milhares de instalações. O caso levanta um novo alerta para quem usa extensões de privacidade no navegador sem confirmar a origem.
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Uma investigação da equipa de Threat Research da Socket descobriu 737 extensões de VPN e proxy falsas na Chrome Web Store. Muitas imitavam marcas reconhecidas, como NordVPN e Proton VPN, mas em vez de protegerem a navegação, encaminhavam todo o tráfego do browser através de servidores controlados pelo mesmo operador.
Segundo os investigadores, estas extensões estavam distribuídas por pelo menos 40 contas de programador diferentes. No conjunto, ultrapassaram as 75 mil instalações. Mais de 270 faziam-se passar por 66 marcas ligadas à privacidade e segurança online. À primeira vista, pareciam ferramentas normais para contornar bloqueios ou navegar com mais privacidade.
Na prática, o comportamento era bem mais preocupante. Depois de o utilizador carregar em “Connect”, a extensão passava a desviar toda a sessão de navegação para proxies geridos pelo operador da campanha. O problema é que isto não equivalia a uma VPN verdadeira. De acordo com a Socket, estas extensões não acrescentavam encriptação extra, o que significa que não ofereciam a camada de proteção que muitos utilizadores esperam de um serviço VPN.
O que podia ficar exposto
Ao ficar no meio do tráfego, o operador podia observar vários elementos da navegação, incluindo:
- sites visitados;
- endereço IP de origem;
- metadados de ligações TLS;
- dados enviados por páginas sem HTTPS.
Na prática, qualquer informação introduzida em sites não encriptados podia ficar vulnerável, incluindo credenciais de acesso.
Um dos pontos mais graves desta campanha foi o uso de nomes populares para inspirar confiança. Extensões falsas apresentavam-se como alternativas ligadas a serviços conhecidos no mercado das VPN, algo que pode enganar facilmente utilizadores menos atentos. Para quem instala uma extensão diretamente a partir da Chrome Web Store, existe muitas vezes a perceção de que tudo o que ali está disponível já foi totalmente validado. Este caso mostra que essa confiança pode ser explorada.
Infraestrutura aponta para um único operador
A investigação associou a rede a um negócio de subscrição VPN com o nome Myxa VPN. A ligação foi feita através de vários indícios técnicos, como contas de analytics partilhadas, registos de domínios semelhantes, alojamento comum e até caminhos de compilação expostos em ficheiros do Windows.
Os investigadores acreditam que as extensões gratuitas funcionavam como porta de entrada para empurrar utilizadores para planos pagos.
A Socket analisou cerca de 200 endereços de servidores premium anunciados em 40 domínios diferentes. O resultado foi surpreendente: nenhum desses endereços resolvia corretamente. Ou seja, os servidores prometidos para países como Japão, Singapura ou Austrália aparentavam simplesmente não existir.
Google já removeu algumas, mas o risco continua
Quando os dados foram recolhidos, 221 extensões já tinham sido retiradas da Chrome Web Store. Ainda assim, 516 continuavam disponíveis. Isso significa que a ameaça não desapareceu por completo. Quem usa extensões de VPN no Chrome deve rever o que tem instalado, sobretudo se a app foi descarregada por ser gratuita, pouco conhecida ou semelhante a uma marca famosa.
Nem toda a gente instala uma VPN para esconder atividade sensível. Muitas pessoas fazem-no apenas para aceder a conteúdos bloqueados, navegar em redes públicas ou ter mais privacidade. É precisamente esse tipo de utilizador que pode ser apanhado por extensões falsas: alguém que procura uma solução rápida, vê um nome familiar e instala sem investigar demasiado.
O impacto pode ir muito além de uma simples má experiência. Se a extensão controlar o tráfego do browser, o risco passa a envolver dados pessoais, sessões online e credenciais introduzidas em páginas inseguras.
Este caso é mais um lembrete de que nem tudo o que promete privacidade a oferece de facto. No universo das extensões para Chrome, o nome pode parecer familiar, mas isso não chega para garantir segurança.
Fonte: Tech Radar





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