Blue Origin revela falha no New Glenn após fuga criogénica
Uma fuga criogénica esteve na origem do problema no terceiro voo do New Glenn. A investigação da FAA e da Blue Origin concluiu que a anomalia reduziu o impulso de um motor da segunda fase e deixou a carga útil numa órbita abaixo do previsto.
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O caso é relevante porque surge numa fase decisiva para a empresa de Jeff Bezos, que tem pela frente missões lunares, contratos com a NASA e uma corrida apertada contra a SpaceX. A boa notícia para a Blue Origin é que o regulador norte-americano já fechou a investigação, embora o próximo lançamento continue dependente de verificação.

O que falhou no foguetão New Glenn
Segundo a Blue Origin, tudo começou antes da segunda ignição da fase superior, conhecida como GS2. A empresa detetou uma condição térmica fora do normal, o que impediu um dos motores BE-3U de atingir o impulso total necessário para colocar a missão na órbita planeada.
A FAA foi mais específica na explicação. De acordo com o relatório final, a causa direta foi uma fuga criogénica que congelou uma linha hidráulica. Esse congelamento acabou por provocar uma anomalia de impulso durante a queima da segunda fase.
O lançamento até começou bem
A missão NG-3, lançada a 19 de abril, teve um arranque promissor. A primeira fase funcionou como esperado e o propulsor regressou com sucesso à plataforma flutuante Jacklyn.
O problema surgiu mais tarde, já durante a segunda queima da fase superior. Foi aí que um dos dois motores BE-3U não conseguiu entregar a potência total.
Resultado: satélite ficou na órbita errada
A carga útil da missão era o satélite BlueBird 7, da AST SpaceMobile. Como o New Glenn não atingiu a trajetória prevista, o equipamento acabou colocado numa órbita mais baixa do que o planeado.
Mais tarde, a AST SpaceMobile confirmou que o satélite seria retirado de órbita. Na prática, a missão não cumpriu o objetivo final, apesar de parte do voo ter corrido bem.
Blue Origin diz que já corrigiu o problema
A investigação identificou nove ações corretivas para evitar uma repetição do incidente. A Blue Origin garante que todas já foram implementadas antes do próximo voo do New Glenn.
A FAA, por sua vez, diz que vai validar essas alterações antes de autorizar um novo lançamento. Ou seja, o processo avançou, mas ainda não está totalmente fechado no terreno.
Porque é que isto importa agora
Este contratempo chega numa altura sensível para a Blue Origin. A empresa precisa de mostrar que o New Glenn é fiável num momento em que tem vários objetivos importantes em cima da mesa.
Entre eles estão o lançamento de um módulo lunar não tripulado ainda este ano e a entrega da missão VIPER da NASA à superfície lunar, atualmente apontada para 2027.
Há ainda outro fator: a competição direta com a SpaceX. As duas empresas estão a tentar garantir capacidade para responder às necessidades da NASA em testes ligados ao programa Artemis III no final de 2027.
O próximo lançamento ainda é uma incógnita
Para já, a Blue Origin não revelou qual será a próxima carga útil do New Glenn. O CEO Dave Limp mostrou recentemente imagens do próximo veículo a ser colocado no sistema de transporte e elevação, mas sem adiantar detalhes sobre a missão.
Mesmo com a investigação encerrada, o relógio não abranda. A empresa ganhou margem para voltar a voar, mas continua sob pressão para cumprir o calendário e provar que o seu foguetão pesado consegue competir a sério no mercado espacial.
O que os utilizadores comuns devem retirar desta história
À primeira vista, este pode parecer um problema distante, mas não é. Satélites de comunicação, missões lunares e contratos espaciais influenciam serviços de internet, conectividade global e a próxima vaga de inovação tecnológica.
Quando um lançamento falha por causa de um detalhe técnico como uma linha hidráulica congelada, fica claro como a nova corrida espacial continua dependente de engenharia de precisão. E também como cada atraso pode mudar o equilíbrio entre Blue Origin, SpaceX e NASA.
- A causa do incidente foi uma fuga criogénica
- Essa fuga congelou uma linha hidráulica
- Um motor BE-3U perdeu impulso na segunda fase
- O satélite BlueBird 7 ficou numa órbita abaixo da prevista
- A Blue Origin diz ter aplicado nove medidas corretivas
- A FAA vai verificar as mudanças antes do próximo voo
Fonte: Theregister




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