Battlefield 6: First Impressions da Open Beta
A Electronic Arts mostrou Battlefield 6 publicamente a 24 de julho. Um mês depois, os estúdios DICE, Motive, Ripple Effect e Criterion, reunidos sob a recém criada marca Battlefield Studios, abriram ao público a maior beta da história da série. O acesso antecipado (Early Access) decorreu entre os dias 7 e 8 de agosto, reservado a quem conseguiu códigos através de Drops da Twitch ou do Battlefield Labs.
O MaisTecnologia participou também deste acesso antecipado onde pudemos constatar não apenas o início – com uma experiência estável ainda que contando com inúmeros jogadores – bem como, as constantes evoluções até ao final da primeira fase. Ficámos sem palavras. O contraste com Betas anteriores foi incrível. Para quem começou com BF1 – que sendo incrível, foi palco de sucessivos bugs –, passando por um BF5 tão controverso como igualmente problemático e terminando em BF2042 que apesar da experiência acabou por desiludir no 1º ano.
O primeiro fim‑de‑semana da Open Beta esteve disponível entre os dias 9 e 10 de agosto e serviu para testar as fundações do jogo disponibilizando três mapas e vários modos uns mais e outros menos tradicionais. A segunda e última fase da beta arrancou hoje, 14 de agosto de 2025, às 9h00 em Portugal (5h00 de Brasília) e decorre até 17 de agosto, acrescentando novos conteúdos e dando a derradeira oportunidade antes do lançamento oficial a 10 de outubro.
O que o Early Access e a 1º fase da Beta demonstraram?
O regresso às origens e o Kinetic Combat System
É notório para nós o compromisso em trazer alguma daquela vibe clássica que era possível em jogos como o BF3 ou BF4. Algo que identificámos e que vimos ser uma ideia compartilhada pelos internautas é o facto de vermos traços de vários títulos – procurando trazer o melhor de cada experiência – a destruição de BF4 complementada com todas as melhorias implementadas no motor gráfico até ao BF5; o feedback das armas, a experiência no disparo, o TTK e BTK de um ambiente fast pace.
Nesta disputa entre PAX Armata e a NATO, tivemos pela primeira vez algo que já tinha sido prometido em BF5 – acreditamos nós pelo peso no motor gráfico para as consolas da anterior geração – e que nunca chegou a ver a luz do dia: o arrastar e a reanimação dos colegas caídos. E surpreendeu, primeiro pela fácil compreensão do funcionamento e, de certa forma, pelo realismo de necessitaremos de o puxar de costas (por vezes até para o inimigo).
A introdução do peek and lean, já presente em diversas outras séries rivais, é também algo que começou a ser notório em Battlefield 5 e que se perdeu com a chegada do 2042. Os jogadores foram ouvidos e aquilo que muitos se queixavam de ser lento foi agora aprimorado, fazendo verdadeiramente a diferença – sentimos isso logo nas primeiras horas de jogo.
Três mapas pequenos na primeira fase
O foco da primeira beta foram os mapas mais pequenos – Iberian Offensive (em Gribraltar), Siège of Cairo e Liberation Peak – foram a aposta da EA o que fez muitos jogadores questionarem a essência da série numa alusão à dinâmica vivenciada em Call of Duty. Battlefield tem sido um jogo sempre mais tático, com uma dinâmica um pouco menos rápida que a de Call of Duty – e não é difícil comprovar isso consultando o Reddit ou outros portais – e nós sentimos isso.
A produtora principal – a DICE – garante que o objetivo não foi uma aproximação a outro estilo de jogo que não o de BF, no entanto, foram reportados por imensos jogadores que o TTD (Time to Death) estava inconsistente ao que muitos associaram o TTK e o BTK que tantos problemas causaram em BF5. Os mais queixosos – fazemos parte deles – sentiram que o tempo para reagir a uma incursão a curta distância era praticamente nulo acabando por ser eliminados até na zona de respawn.
Porém, o feedback tem sido positivo e o facto de os modos Conquest, Breakthrough e Domination estarem de volta mostra bem o compromisso em manterem-se fieis às origens. Independentemente do tamanho dos mapas, uma coisa é certa, a variedade entre mapas urbandos e os cenários de all-out warefare com veículos, o espaço vertical para avançar na frente de combate e a possibilidade de flanquear os inimigos é notória – surpreendeu!
Jogabilidade, o sistema de classes, as armas e a performance
Logo após algumas horas, foram notórias as melhorias trazidas com BF6. É visível o movimento mais ágil aludindo ao cenário de guerra moderna, no entanto, mantendo a suavidade e sensação características de Battlefield. Dependendo das armas, o recuo foi menor nas Assault Rifles (mais sentido nas Carabinas) assim como nas LMG (metralhadoras ligeiras).
Nós tivemos oportunidade de jogar mais com Snipers como a M2010 ESR, uma bolt-action (rifle de ferrolho) cuja classe de base é Recon, alternando com Assault Rifles como M433. Ocasionalmente, escolhemos a Carabina AK205 que quando equipada com uma mira telescópica, é digna de envergonhar algumas DMRs (claro, ainda que não seja comparável).
O que notámos é que efetivamente a M2010 ESR a única sniper disponível na Open Beta tinha um recoil um pouco mais agressivo do que outras snipers idênticas vistas em 2042 ou até mesmo, em última análise, no BF5. A categoria de armas Carbine estão simplesmente fora da ordem neste quesito de recoil, parece que desaparece quase por completo em determinadas situações. E por fim, as Assault Rifles que também viram o recoil diminuir.
Falar em jogabilidade sem falar no sistema de classes, seria quase criminoso. Depois de BF4, vimos acontecerem modificações – na nossa opinião, compreensíveis – ao famigerado quarteto: Assault, Support, Engineer e Recon. Em Battlefield 1, enquadrado no ambiente WW1, as funções de Suporte e Engenheiro são praticamente as mesmas. Assim, ressurgem Assault, Support e Scout (aka. Recon) e aparece a figura de Medic (vulgarmente representado pelo Support). Ao entrar na Segunda Guerra Mundial de BF5, a DICE opta por regressar à figura de Recon, mantendo as novas classes (incluindo a de médico).
Em Battlefield 2042 vimos uma cedência aos populares personagens que integraram o título – os Specialists – cuja pressão mediática foi tão grande que a DICE acabou por criar à pressa um sistema de classes com especialistas dentro de cada classe. Marca o regresso ainda que tímido de Assault, Support, Engineer e Recon. Porém, oficialmente, apenas em BF6 regressa com foco no passado.
Do que sabemos, o objetivo será eventualmente bloquear o sistema de classes permitindo apenas armas específicas, no entanto, na Open Beta houve a possibilidade de um Assault utilizar uma Sniper, por exemplo. Não existindo um bloqueio, existiram certas classes que acabaram por ser preteridas em função das vantagens de uma classe em particular para a arma a ser utilizada.
O motor gráfico está melhor, mais fluído e com menos bugs se olharmos para outros testes do passado. Quem é que ainda se lembra dos bugs do ragdoll de BF1? Era anedótico e permitiu à comunidade brincar um pouco com o slow pace de um evento de Primeira Guerra Mundial. Em BF5, vimos algumas melhorias, no entanto, em 2042 (talvez pela magnitude e por tentar manter-se vivo nas consolas de anterior geração) acaba por perder a mecânica da série. BF6 trouxe de volta os saltos as cambalhotas e o deslizar que também caracterizam a série.
Independentemente da problemática do TTD/BTK ou TTK que afetam os jogadores, é importante lembrar quem em muitos destes casos o que foi sentido também se pode ter ficado a dever à pressão a que os servidores estiveram sujeitos. É visível em muitos dos vídeos partilhados pela comunidade que os sinais de quebra da conexão (ou quase) e da lentidão na receção dos pacotes de dados podem ter contribuído para esta má experiência.
Aspeto gráfico, os menus, a visibilidade e o equilíbrio
O MaisTecnologia jogou essencialmente em PlayStation 5 Pro – na minha pessoa – e aquilo que pude ver, satisfez bastante. Optei por usufruir de uma jogabilidade fluída a 120 fps em 1440p ao invés de optar por 4K a 60 fps. Mesmo em 2K, a experiência gráfica foi absolutamente vencedora comparado com outros títulos concorrentes ou mesmo os anteriores (BF5 tinha um cenário incrível, quem se lembra?).
Contudo, e como nem apenas de Gráficos se fazem os jogos, também existem alguns pontos de melhoria relevantes: diversos jogadores (e nós também notámos) a dificuldade em alguns mapas de distinguir os inimigos. Fomos confrontados por cenários de guerra em que as fardas quase se auto-camuflam dificultando a visão para quem não utiliza miras de zoom ótico. Seria interessante talvez procurar um maior contraste sem exageros.
Conquest e Breakthrough estão de parabéns, no entanto, carecem da presença de mapas maiores. Segundo a EA, estes foram os mapas mais pequenos, no entanto, esperemos que o compromisso para com o suporte do jogo seja efetivo e não como o BF5 que foi deixado praticamente a meio no seu suporte de vida útil. É aguardar e ver o que segue a partir daqui.
Perceção dos jogadores e influencers
O que a expectativa, o marketing e uma Open Beta bem feita fazem pelo sucesso de um título ainda nem sequer lançado.
Durante o Early Access, a adesão dos jogadores foi tão grande que logo no primeiro fim-de-semana a Beta registou mais de 500K jogadores em simultâneo – repito, em simultâneo – na Steam. Ainda que isto possa levantar questões sobre a real dimensão, o certo é que não foram apenas os jogadores da Steam presentes pois tive oportunidade de ver em diversos matchmakings jogadores de consolas, contas EA Play e tantos outras formas de acesso.
Para este hype contribuíram sem dúvida alguns dos grandes youtubers/influenciadores do passado – entre eles, JackFrags, Stodeh e LevelCap que desde o primeiro minuto procuraram mostrar o estado do título, louvando o sistema de destruição e o retorno ao combate moderno – trazendo alguma nostalgia aos mais veteranos da série Battlefield.
O que muda na 2ª fase da Beta neste fim de semana?
A partir de hoje, existe mais conteúdo disponível. O novo mapa Empire State – focado em infantaria no meio de Brooklyn – a inclusão do tão desejado modo Rush e também do Squad Deathmatch. Por forma a limitar alguns dos eventos que mencionámos, algumas armas ficaram adstritas às classes correspondentes. Finalmente, por forma a responder à falta de Server Browser, foi incluído um Custom Search por forma a diminuir as trocas aleatórias.
Conclusão
É desta que Battlefield regressa fielmente às origens? A manterem-se as expetativas e o sucesso deste formato apresentado na sua versão final, acreditamos que tem tudo para dar certo. Ainda é cedo para classificar globalmente um jogo com base numa amostra tão pequena, ainda para mais não se conhecendo o modo singleplayer tão característico da série.
Contudo, se tivéssemos de classificar este Battlefield 6: Multiplayer seria, por certo, um 9/10. Claro está, um 9/10 bastante mais reforçado do que quando avaliamos 2042 em novembro de 2021. Por agora é aguardar, aproveitar a Beta Aberta ao público e ver o que os Battlefield Studios têm para nos apresentar daqui para a frente a 10 de outubro.












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