As conjeturas pós-Facebook IPO do Prof. Dindó

A entrada em bolsa da maior rede social do mundo foi o tema que mais dominou as atenções tecnológicas nos últimos tempos. E não é preciso ir a Wall Street para saber quais as próximas empresas a desmultiplicarem-se em ações. O Jurandir conta-lhe.

Sempre vi os analistas da bolsa de valores como uma concorrência desleal – tentam prever o futuro, levam rios de dinheiro às pessoas e nem sequer usam uma bola de cristal para fundamentar os seus palpites. Afastaram-se do rótulo de adivinhadores místicos e ocultos para serem reconhecidos como uma das profissões mais conceituadas e prestigiadas do mundo. Mas dentro do universo da Economia, as empresas tecnológicas estão a cimentar um lugar de destaque e importância. Temos a Apple como uma das empresas que mais vale em bolsa e tivemos recentemente o Facebook como a maior entrada bolsista de sempre. Perante tal situação e tendo em conta que sou o mais conhecido bruxo tecnológico português, chamo a mim as capacidades de analista, conferidas, certificadas e reconhecidas pelo Além, para saber quem são e como serão as próximas entradas tecnológicas no mercado dos valores.

O Twitter, com o ticker TWTER, perfila-se como o eterno candidato a assumir a próxima grande Oferta Pública Inicial. Basta fazer uma comparação com o Facebook para repararmos que tem tudo para ter um sucesso semelhante – é a segunda maior rede social do mundo, em utilizadores registados e ativos; é dos sites que apresenta maior taxa de crescimento e registos; é uma plataforma de social networking e estes são os tempos em que o fator social está reforçado um pouco por toda a Internet; já foi alvo de fortes investimentos empresariais tal como aconteceu com a empresa de Mark Zuckerberg. E já viu os seus maiores concorrentes, LinkedIn e Facebook, a arriscarem uma IPO.

A entrada do Facebook em bolsa poderá ter sido o movimento decisivo que nos próximos 18 meses levará a rede de microblogues a entrar também no mercado bolsista. O Facebook funciona como a cobaia perfeita para testar a entrada futura do Twitter em bolsa – se a eles lhes correr bem, vale a pena arriscar, se correr mal, o melhor será esperar mais um pouco. Estes são os conselhos do Professor Dindó. A verdade é que o IPO da rede social de Mark Zuckerberg correu muitíssimo bem, rendendo milhões de euros aos seus investidores. Este tipo de resultados vai acabar por pressionar os detentores de direitos económicos do Twitter, é demasiado dinheiro para se virar a cara. Tarda nada a rede social do pássaro azul torna-se um antro de maus olhados e invejas. Mas a quebra repentina e imediata do valor das ações facebookianas pode funcionar como um antídoto temporário à febre do dinheiro.

A seguir, as empresas de software e aplicações móveis. A finlandesa Rovio é a minha grande aposta para uma entrada em bolsa num futuro próximo. Do nada, os criadores de Angry Birds construiram uma legião de viciados que nem os meus melhores feitiços seriam capaz de igualar. Projetaram ainda uma marca que é muito mais que uma simples aplicação. São peluches, lojas temáticas, possivelmente filmes e agora até roupa. Falta à Rovio mais uma prova dada, como o lançamento de um novo jogo, que prove de vez o sucesso da empresa noutros campos. Se o Amazing Alex for um sucesso, então os finlandeses podem enterrar o champagne na neve à porta de casa. Fecho os olhos e valorizo a Rovio em 3 mi milhões de euros – uma entrada na bolsa podia disparar os pássaros zangados da RVIO até aos 9 mil milhões com a maior das facilidades. A Zynga é o exemplo de comparação neste campo.

No campo das aplicações para sistemas operativos móveis, vejo ainda mais companhias com capacidade para realizarem  uma investida na bolsa de valores. E estão todas relacionadas com a produção, partilha e armazenamento de conteúdos digitais. Spotify, Dropbox e Hulu, são algumas empresas que vão ter nos próximos anos um crescimento considerável e que vão despertar nos investidores uma vontade de valorização. Numa altura em que a pirataria começa a ser combatida com mais força e validação jurídica, a alternativa passa por partilhar e comprar a preços baixos as músicas, filmes e fotografias. O Instagram era outra das minhas apostas, mas o todo poderoso e cheio de dinheiro Facebook adiantou-se e decidiu comprar «todas as ações» de uma só vez.

São aplicações que ainda têm muito para desenvolver, mercados para se adaptar e movimentam dinheiro que garanta uma sustentabilidade económica. A aplicação Evernote, uma das mais famosas em dispositivos móveis, não é nas minhas visões uma IPO provável – é um serviço muito estanque e os dentes de elefante já não são tão usados pelos bruxos.

A minha previsão final vai para as Ofertas Públicas Iniciais em si. As IPO, depois do sucesso da do Facebook, vão deixar muita gente a pensar. O valor não precisa de ser estratoesférico como foi com a empresa de Mark Zuckerberg, mas numa altura em que tanto dinheiro se tem gasto em crowdfunding, liquidar uma marca já com sucesso em ações milionárias vai tornar-se o pão nosso de cada dia. Investidores e adivinhadores de todo o mundo, façam as vossas apostas. As minhas já estão feitas.

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