O pódio dos smartphones voltou a mexer. Depois de anos em que a Samsung alternou entre a liderança e uma margem mínima sobre a Apple, os dados mais recentes de mercado apontam para uma inversão em 2025: a Apple terá terminado o ano na frente.
Não é apenas uma corrida de números; é um sinal claro de como a adoção do 5G nos mercados emergentes, os modelos de financiamento e a estratégia de portefólio estão a redesenhar o mapa competitivo.
O ano em que a Apple ultrapassou a Samsung
Segundo estimativas de analistas do setor, as remessas globais de smartphones cresceram cerca de 2% em 2025, mantendo a recuperação iniciada no ano anterior. Neste contexto de ligeira expansão, a Apple captou aproximadamente 20% de quota global, superando a Samsung, que fechou o ano perto dos 18%. A Xiaomi consolidou o terceiro lugar, na casa dos 13%. São diferenças curtas, mas suficientes para reordenar a classificação num mercado maduro, onde cada ponto percentual é disputado com unhas e dentes.
Importa lembrar: diferentes casas de análise podem apresentar variações nos números finais, fruto de metodologias distintas. Porém, o retrato geral repete-se: Apple e Samsung continuam muito próximas e, em 2025, a primeira levou vantagem.
Crescimento global: 5G e financiamento empurram a procura
O regresso ao crescimento anual tem dois motores principais. Por um lado, a massificação de smartphones 5G em faixas de preço mais acessíveis acelerou as trocas de equipamentos em regiões onde a penetração ainda era baixa. Por outro, o alargamento de opções de financiamento — desde prestações sem juros a programas de retoma mais agressivos — tornou mais fácil subir um degrau na gama, mesmo em mercados sensíveis ao preço.
O resultado foi uma procura mais saudável, sobretudo no segmento médio, tradicionalmente o mais volumoso.
Porque é que a Apple ganhou terreno em 2025
A Apple beneficiou de um duplo impulso. Os iPhone 17 tiveram uma estreia forte, com melhorias tangíveis em desempenho, fotografia e autonomia, enquanto a série iPhone 16 manteve tração onde ainda tinha espaço para crescer — Japão, Índia e Sudeste Asiático. Este alongamento do ciclo comercial, combinando a geração mais recente com a anterior através de promoções e trade-ins, ajudou a marca a aumentar as remessas em torno de 10% face a 2024.
Há, ainda, o efeito ecossistema: quem entra no iPhone tende a ficar para upgrades futuros, o que reduz o churn e sustenta volumes mesmo quando o mercado abranda. A integração de serviços e a valorização do usado, com retomas que preservam melhor o preço, completam a equação.
Samsung não abrandou — mas sentiu pressão regional
Do lado da Samsung, houve novidades de peso. A série Galaxy S25 somou pontos nos topos de gama e o Galaxy Z Fold 7 reforçou a perceção de que os dobráveis já saíram do nicho, quer em maturidade de hardware, quer em oferta de software. A verdadeira locomotiva, contudo, continuou a ser a família Galaxy A, que sustenta o volume e alimenta a base Android nos segmentos médio e médio-alto.
Ainda assim, a marca enfrentou ventos contrários em regiões estratégicas. Na América Latina e na Europa Ocidental, a pressão promocional e a agressividade de players chineses apertaram margens e colocaram freio a ganhos de quota. Em contrapartida, houve sinais positivos no Japão e nos mercados “core” da empresa, ajudando a assegurar um crescimento anual de envios na ordem dos 5% — insuficiente, porém, para travar a ultrapassagem da Apple.
Leituras por região: emergentes em aceleração, Ocidente cauteloso
A dinâmica de 2025 sublinha uma fragmentação cada vez mais nítida:
- Mercados emergentes: a adoção de 5G a preços mais baixos e o crédito mais acessível desbloquearam upgrades adiados. A Xiaomi capitalizou bem esta vaga, tal como as linhas A da Samsung.
- Japão e Sudeste Asiático: a Apple explorou com sucesso parcerias com operadores e programas de troca, prolongando o fôlego de gerações anteriores e cimentando a procura pelos iPhone 17.
- Europa Ocidental e América Latina: competição feroz no Android, com campanhas agressivas e consumidores sensíveis ao preço, deixou menos espaço para aumentos de quota sustentados.
Olhando para 2026: IA no bolso e ciclos de substituição mais racionais
Com o mercado a estabilizar, o próximo grande diferenciador será a IA no dispositivo. Assistentes generativos que funcionam localmente, edição de imagem/vídeo em tempo real e automações inteligentes podem passar de argumento de marketing a fator de retenção. A médio prazo, espera-se:
- Dobráveis a consolidarem-se na gama alta, com formatos mais leves e mais duráveis.
- Segmento médio 5G a ganhar ainda mais capacidades de topo (câmaras melhores, ecrãs de 120 Hz, autonomia reforçada).
- Programas de trade-in e reparabilidade a pesarem mais na decisão de compra, encurtando o “payback” de upgrades.
Para quem compra, isto traduz-se em mais valor por euro investido e ciclos de vida potencialmente mais longos, sem perder funcionalidades-chave. Para as marcas, a mensagem é clara: fidelizar, diferenciar e entregar performance real, não apenas especificações.
Conclusão
A liderança da Apple em 2025 não aconteceu no vácuo: foi a combinação de um portefólio bem ritmado, ecossistema coeso e execução certeira em mercados onde ainda havia quota por conquistar. A Samsung respondeu com um line-up robusto e avanços claros nos dobráveis, mas acusou a pressão em praças críticas. Com o mercado global a crescer moderadamente e a tecnologia a entrar na fase “IA-primeiro”, 2026 promete uma disputa ainda mais apertada — e potencialmente mais interessante para os consumidores.
Fonte: Sammobile






























