Análise Samsung Galaxy Watch 8: review
Há anos que a série Galaxy Watch anda num jogo de avanços milimétricos: um brilho extra aqui, uma app nova acolá, uma correia diferente, e seguimos caminho. Em 2025, a Samsung decidiu mexer no tabuleiro.
Neste artigo encontras:
- O essencial em 60 segundos
- Design: redondo por dentro, “quadrado” por fora — e mais elegante
- Interface e UX: pequenos toques, grande diferença
- Treino: um treinador que te “lê” as pernas
- Saúde e sono: mais sensores, mais contexto
- Performance e autonomia: rápido como deve ser, stamina que podia ser melhor
- Conetividade e hardware: tudo o que é preciso, nada de extravagante
- Preços, tamanhos e o “valor”
- Para quem é (e para quem não é)
- Pontos fortes e fracos
- Veredicto: o melhor Galaxy Watch “mainline” em anos — e com mérito
O Galaxy Watch8 não é “mais do mesmo” com verniz fresco — é o maior salto na linha principal em muito tempo. O redesenho aproxima-o do visual “cushion” do Watch Ultra, a interface ganha atalhos que realmente poupam toques, e a inteligência artificial aterra no pulso com Gemini on-wrist para tarefas multi-passo.
Some-se a isto um novo treinador de corrida com 160 planos, métricas de saúde ampliadas (incluindo um índice de antioxidantes e deteção de apneia do sono) e um ecrã que fura o sol com 3.000 nits de brilho. Sim: há decisões discutíveis (olá, autonomia), mas, pela primeira vez em anos, é difícil não sentir que esta geração move a agulha.

O essencial em 60 segundos
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Mudança a sério: caixa “almofada” (cushion) inspirada no Ultra, 11% mais fina que a geração anterior, ecrã Super AMOLED muito mais legível ao sol (até 3.000 nits), bateria ligeiramente maior (≈+8%).
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Software com impacto: Now Bar para regressar em 1 toque ao que está a decorrer (treino, temporizador), “glances” redesenhados e Gemini on-wrist, capaz de encadear ações (“encontra o melhor ginásio perto de mim e envia mensagem à Julie”).
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Desporto e saúde: Running Coach com 160 planos ajustados a uma prova de 12 minutos, índice de carotenoides (antioxidantes) medido com o polegar, apneia do sono, e o pacote habitual (FC, SpO₂, composição corporal, GPS multiconstelação).
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Autonomia: a Samsung fala em até 30 h (40 h no 44 mm), mas com always-on ligado e sessões curtas registadas, o meu Watch8 morreu por volta das 25 horas.
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Preços e variantes: 40 mm BT desde $349/£319; 44 mm BT desde $399/£349; versões LTE com acréscimo.
Design: redondo por dentro, “quadrado” por fora — e mais elegante
O Watch8 mantém o mostrador redondo, mas abandona a silhueta cilíndrica que abraçava o ecrã. No lugar, uma “almofada” metálica (aquele “cushion” retangular com cantos suaves) que o aproxima do Watch Ultra da casa, mas sem o ar tijolo. A diferença não é só estética: a caixa está 11% mais fina e o relógio assenta melhor no pulso. Visualmente, é minimalista, moderno e, acima de tudo, identitário — começas a reconhecer um Galaxy Watch de longe, tal como reconheces um “squircle” com coroa da Apple.
Os 3.000 nits transformam o dia-a-dia. Ler pace a meio de uma corrida ao meio-dia, seguir uma seta do mapa, ver um aviso no passeio — tudo acontece sem semicerrar os olhos. O painel tem aquele contraste típico AMOLED e um AOD bonito, que dá pena desligar (pena que a bateria também “sinta”).
Nas asas, surge o sistema Dynamic Lug herdado do Ultra: mais firmeza, menos “dança” no pulso. É verdade que trocar correias é mais chato do que parece (se tens unhas curtas, vais resmungar), mas o ajuste merece aplauso: muito estável a correr, sem micro-deslizamentos que enganem o sensor.
No verso, a habitual base de sensores, suave contra a pele. Em conjunto, o Watch8 40 mm pesa ~30 g (44 mm: ~34 g) e mede 8,6 mm de espessura — fino o suficiente para dormir com ele sem notar a caixa a pressionar o osso do pulso.
Interface e UX: pequenos toques, grande diferença
O One UI Watch 6 (sobre Wear OS) não é um repinte — mexe onde interessa. O novo Now Bar é um golpe de génio de simplicidade: estás no mostrador, see um “chip” estreito com o que está em curso (o teu Timer a contar, o Workout vivo); tocas e saltas ao ecrã completo. Poupa swipes, poupa tempo, poupa frustração.
Os glances (vistas rápidas) foram arrumados: informação mais densa, melhor tipografia, menos passos para chegar aos detalhes. É aquele polimento que se sente todos os dias e que te faz usar mais o relógio, não menos.
E depois há Gemini on-wrist. Em teoria, é o início de uma nova forma de interagir com o wearable: “Começa um treino de 20 minutos”, “Diz-me o caminho até ao supermercado”, “Vê o melhor ginásio por perto e pergunta à Julie se quer inscrever-se”. Na prática, no meu uso real, acabei por ficar nos básicos de assistente — temporizadores, direções, mensagens curtas. Mas a fluidez com que o relógio chama o Google Maps para o pulso ou abre uma sequência de ações mostra que há ali margem para ganhar hábitos.
Treino: um treinador que te “lê” as pernas
Se corres, o Watch8 dá-te mais do que dados: dá-te um plano. O novo Running Coach começa com uma prova de 12 minutos para avaliar forma, e escolhe 1 de 160 planos (do primeiro 5K à maratona). Melhor: muda-te de plano automaticamente se repetidamente superares metas (ou ficares atrás). Isto já acontece em plataformas de treino “a sério”, e vê-lo nativo no pulso é refrescante.
Em testes lado a lado com um Garmin Venu X1, as métricas caíram dentro da margem de erro que me deixa confortável: GPS estável, ritmo coerente, FC sem picos absurdos. No fim, o Samsung Health não despeja estatísticas que vais esquecer; dá-te pistas concretas (“trabalha cadência”, “atenção ao tempo em Z4”) e drills recomendados. É este salto de “dados → ação” que sempre pedi ao ecossistema Wear OS.
Para quem alterna com ginásio, bike ou caminhadas, o habitual arsenal de modos, deteção automática de atividade e integração com apps está cá. E sim, há o truque útil do viewfinder de câmara e os controlos de música, mais naturais nesta geração graças ao tal UI mais esperto.
Saúde e sono: mais sensores, mais contexto
No capítulo do bem-estar, a Samsung estica o braço: além do coração, SpO₂, composição corporal e outros clássicos, entram a deteção de apneia do sono e um Índice de Antioxidantes que mede carotenoides usando… o polegar. É um proxy interessante para hábitos alimentares (se andas a falhar fruta e legumes, vais ver números magros), embora convenha lembrar o óbvio: não é diagnóstico clínico.
O sono mantém-se uma das áreas mais fortes. No meu caso, o relógio acertou na duração e identificou despertares (um ataque de tosse a meio da noite foi fielmente registado). Os Sleep Animals — perfis de sono baseados em padrões — continuam como camada “narrativa” simpática; útil? Talvez não, mas ajudam a interpretar tendências sem cair em gráficos frios.
O pulso fino e a caixa leve tornam viável dormir com o Watch8 vários dias seguidos — ponto crítico se queres histórico consistente para ver melhoria (ou falta dela…).
Performance e autonomia: rápido como deve ser, stamina que podia ser melhor
O Watch8 é rápido. Mudar tiles, abrir apps, arrancar um treino, puxar o Now Bar — tudo responde sem soluços. A parceria Wear OS + One UI finalmente parece pronta para algo mais ambicioso do que notificações e cronómetros.
A bateria é a pedra no sapato. Entre a unidade 40 mm (até 30 h) e a 44 mm (até 40 h), os números de marketing são plausíveis… se desligares o Always-On e moderar treinos. Com o AOD sempre ligado, algumas caminhadas auto-detetadas e um run de 25 minutos, o meu Watch8 pediu tomada por volta das 25 horas. É mais do que um Apple Watch típico, mas longe dos relógios de corrida dedicados. E o carregamento é moroso: ~2 horas do zero ao topo com o carregador proprietário. Em 2025, pedia-se melhor.
Se vens de um Watch7, vais sentir a interface mais rápida e o ecrã mais legível; se vens de Garmin, vais sentir falta de dois ou três dias extra longe do carregador.
Conetividade e hardware: tudo o que é preciso, nada de extravagante
Tens Bluetooth 5.3, Wi-Fi, NFC, GPS/GLONASS/Beidou/Galileo e 5ATM de resistência à água. O armazenamento chega aos 32 GB, mais do que suficiente para playlists offline. Em LTE, há variantes dedicadas (com acréscimo de preço). Em suma, nada falta para um smartwatch generalista — e nada sobra em promessas vazias.
Preços, tamanhos e o “valor”
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40 mm: desde 319,90€ e 369,90€ (LTE)
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44 mm : desde 369,90€ e 419,90€ (LTE)
É um ligeiro aumento face ao Watch7, mas alinha com o segmento premium Android. Olhando para o pacote — novo design, ecrã fortíssimo, Gemini, Running Coach de gente grande, saúde alargada — diria que, nesta geração, a Samsung justifica melhor o pedido do que nos dois anos anteriores. Não é barato; é competitivo.
Para quem é (e para quem não é)
Compra sem medo se:
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Queres um Wear OS que finalmente sabe poupar toques (Now Bar, glances, atalhos úteis).
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Corres regularmente e valorizas planos dinâmicos que se adaptam ao teu desempenho.
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Precisas de bom sono + saúde num corpo leve para o usar 24/7.
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Usas Google Maps, mensagens, música e vês valor em ter Gemini no pulso para rotinas.
Passa à frente se:
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A tua prioridade #1 é autonomia de vários dias (Garmin, Huawei ou mesmo um Ultra continuam imbatíveis).
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Queres um carregamento rapidíssimo (não é aqui).
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És minimalista de AI e preferes o telemóvel para tudo: vais usar menos o Gemini do que imaginas.
Pontos fortes e fracos
O que acerta em cheio
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Redesign com identidade e 11% mais fino — confortável para correr e dormir.
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Ecrã de 3.000 nits: legibilidade exemplar ao sol.
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Now Bar e glances redesenhados: verdadeiro ganho de usabilidade.
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Running Coach com 160 planos e adaptação automática.
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Saúde mais completa (apneia do sono, antioxidantes/carotenoides) com insights acionáveis.
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Gemini on-wrist: ainda embrionário no hábito, mas promissor nas rotinas.
O que ainda falha
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Autonomia curta com AOD e uso ativo (carregar de 2 em 2 dias no meu caso).
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Carga lenta (≈ 2 h do zero ao topo).
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Dynamic Lug: sistema sólido no pulso, mas fiddly nas trocas de correia.
Veredicto: o melhor Galaxy Watch “mainline” em anos — e com mérito
O Samsung Galaxy Watch8 é, sem rodeios, o melhor da linha principal em muito tempo. Não por um truque isolado, mas por um conjunto coerente de melhorias que mexem com a experiência real: um design que apetece usar, um ecrã que se lê sempre, uma interface que percebe o que estás a fazer e te devolve a esse contexto sem labirintos, e um treinador que troca estatísticas por planos. A isto junta-se saúde com mais contexto e um Gemini que, mesmo tímido no hábito, abre portas.
Fica a dívida na autonomia e no tempo de carga — numa era em que muitos querem usar o relógio dia e noite, o Watch8 ainda te pede a base com demasiada frequência. Se isso não for deal-breaker no teu perfil, tens aqui o Android smartwatch a recomendar em 2025.








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