Análise do Returnal (PS5) — o melhor título já desenvolvido pela Housemarque

A nova geração de consola da Sony, PlayStation 5, está a fazer um enorme sucesso no mundo inteiro, quebrando recordes de vendas atrás de recordes ineterruptamente, apesar de todos os problemas associados à falta de stock devido, sobretudo, à COVID-19. Com esta nova consola, a Sony prometeu revolucionar a maneira de fazer e jogar videojogos para todo o sempre, graças à grande potência da mesma, e existem de facto títulos que têm vindo a mostrar a promessa da Sony, títulos como o Returnal.

O Returnal é um shooter de terror na 3ª pessoa e é também o mais recente título da Housemarque, um dos novos estúdios da PlayStation muito conhecido por jogos de arcade, e este foi anunciado no evento de revelação da PlayStation 5 em Agosto de 2020 como um dos novos exclusivos da nova PlayStation 5 a chegar à consola em 2021 e, tal como prometido, este título já chegou à nova consola e é de facto um grande e excelente exclusivo da Sony e da PlayStation 5, tirando máximo partido da tecnologia e potência da nova consola.

Nesta análise irá ser avaliada a versão PlayStation 5 do título, a única que existe do mesmo, que foi jogada numa PlayStation 5 Standard, onde iremos classificar entre 0 e 10 valores vários aspetos importantes a considerar do título, sendo estes a narrativa, a jogabilidade e combate, a ambientação, a qualidade gráfica e desempenho, dando no final o veredito, que tem por base os aspetos já referidos.

Narrativa — intrigante, misteriosa e assustadora

A narrativa de Returnal coloca de imediato os jogadores na pele da astronauta Selene que está a tentar localizar um sinal dado pelo nome de White Shadow num planeta alienígena desconhecido. Devido a uma distração da mesma, a nave de Selene sofre danos e esta tem de fazer uma aterragem forçada no planeta desconhecido, onde está agora presa e bastante longe da origem do sinal que investiga.

Após algum tempo de jogo, os jogadores irão facilmente perceber que Selene não está só presa num planeta desconhecido mas também está presa num loop temporal. Os jogadores descobrem isto devido ao facto de, ao longo do jogo, Selene encontrar outras versões de si mesma mortas. De maneira a experienciar e viver este loop, cada vez que os jogadores morrerem voltarão aos destroços da nave e terão de partir do zero na exploração do mundo onde se encontram mas, cada vez que isto acontecer, o mundo e o que rodeia os jogadores estará completamente diferente da última vez.

A maneira como a narrativa se desenrola é bastante curiosa e difere de muitos títulos presentes no mercado. O Returnal não apresenta imensas cutscenes, o que poderia ser um aspeto negativo para a sua narrativa mas não o é porque a Selene vai relatando tudo o que se passa no jogo à medida que os jogadores avançam na campanha, o que é bastante positivo visto que, como a Selene é também uma investigadora, é normal que esta relate todos os acontecimentos de uma investigação tal como grande número de investigadores e cientistas fazem durante o seu dia-a-dia.

Para além disto, os jogadores vão também percebendo mais acerca da narrativa e da própria Selene através das gravações de áudio que esta ouve quando encontra uma versão de si mesmo morta, o que pode fazer com que a história se fragmente mas, em vez disso acaba por a conectar todas as pontas soltas da mesma ao longo do tempo, o que torna a narrativa de Returnal mais misteriosa e curiosa e, ao mesmo tempo, faz com que os jogadores sintam que esta é uma investigação e não apenas uma história, o que os faz querer explorar e descobrir mais.

A história de Selene não será apenas a sua investigação, exploração e sobrevivência no planeta alienígena mas também os acontecimentos passados na casa do século XX de Selene, que aparece sem explicação no planeta, que está fortemente presente no jogo, permitindo aos jogadores conhecer o passado da personagem em tenebrosas cenas na primeira pessoa. Estes segmentos são um pouco bizarros, assustadores e até mesmo um pouco misteriosos mas são importantes para os jogadores compreenderem Selene e a sua narrativa, assim como o seu passado.

Deste modo, dá para ter uma perspetiva de que a narrativa de Returnal difere bastante de da maioria de narrativas presentes no mercado, o que não é um mau aspeto da mesma pois fá-la ser diferente da competição, sendo mais uma espécie de investigação do que uma própria narrativa, fazendo os jogadores querer investigar e aprofundar mais a mesma, agarrando-se bastante a esta, algo que todas as narrativas procuram fazer mas só algumas como a do Returnal realmente conseguem.

Apesar disto, a narrativa de Returnal é um pouco apressada, muito devido à jogabilidade que faz com que esta fique muitas vezes em segundo plano, com um final intrigante e que deixa muito por responder, o que pode indicar um Returnal 2. Mesmo assim, a narrativa de Returnal é, de um modo geral, muito intrigante, misteriosa e assustadora que se parece muito com uma investigação, o que nos faz querer saber mais acerca da mesma, e por isso atribuo-lhe 8,2 em 10 valores.

Jogabilidade e combate — muito intensos e cheios de ação

Returnal é, como se pode perceber, a evolução lógica dos anteriores títulos do estúdio muito aclamados pelas críticas como o Resogun e o Dead Nation. Tal como nestes títulos, os jogadores precisão de uma concentração máxima e de um bom tempo de resposta para enfrentarem qualquer ameaça e saírem vitoriosos de cada confronto.

Durante grande parte do título, os jogadores passarão a maior parte do seu tempo a combater inimigos e a explorar as vastas áreas onde se encontram, o que coloca a história em segundo plano na maioria do jogo, como já tinha referido. Isto pode ser um pouco chato mas, faz com que o Returnal pareça um jogo de arcade, o tipo de jogos feito pela Housemarque.

Falando agora mais especificamente na jogabilidade, esta é muito idêntica com a de Dark Souls e é maioritariamente usada em combate, daí juntar os pontos jogabilidade e combate na mesma secção. Esta é bastante complexa e, sem muito aprofundamento, pode ser muito difícil ou muito fácil para outros, dependendo do tipo de jogabilidade a que estão habituados.

Apesar disto, o Returnal é, por defeito, considerado um jogo difícil, muito devido à sua jogabilidade e combate que, como já referi, assemelham-se muito com jogos como Dark Souls e Bloodborne, também considerados difíceis. Mesmo assim, de maneira a que os jogadores menos habituados não sintam tanta dificuldade, um grande número de confrontos no podem ser interrompidos através de secções de plataformas para que este regenerem a vida para acabar com os inimgos.

De um modo geral, as jogabilidades e combate de Returnal são muito complexas, sendo que os combates são muito stressantes, intensos e cheios de ação. A jogabilidade é composta por andar, correr, saltar e ainda por algumas habilidades que Selene desbloqueia em momentos cruciais da narrativa.

Com a descrição acima, a jogabilidade não parece muito complexa e difícil pois, é o combate que a faz ser assim. Este pode ser com poucos ou muitos inimigos de uma só vez mas são sempre cheios de ação e intensos, onde o jogador tem de estar 100% focado no mesmo para evitar morrer. Existem vários tipos de inimigos com inúmeras habilidades e os jogadores têm sempre de estar prontos para enfrentar qualquer coisa e, para além disso, têm de saber usar muito bem as habilidades de Selene e as armas que esta encontra pelo jogo porque a mínima distração pode causar a morte de Selene, fazendo com que esta retorne ao inicio do jogo.

Ao regressar ao início do jogo, Selene não terá quaisquer armas, atualizações e objetos recolhidos anteriormente  pelos jogadores, o que irá dificultar a jogabilidade e o combate ainda mais. Para além disso, não existem salvamentos do progresso a meio de momentos do jogo que não sejam parte da narrativa, que são poucos, ou uma maneira de pausar o progresso, o que significa que se os jogadores saírem a meio do jogo, quando voltarem começarão do início do mesmo como se tivessem morrido, algo muito chato e frustrante.

Para concluir esta secção, pode-se dizer que as jogabilidade e combate de Returnal podem ser as melhores e mais fáceis do mundo ou as piores e mais difíceis do mundo, dependendo do hábito dos jogadores à mesma. A jogabilidade é de facto um pouco simples mas, quando juntada com o combate, torna-se muito intensa e cheia de ação, o esperado parta um título do estilo de Returnal. Apesar disso, a forma como os jogadores recomeçam o jogo quando morrem e a forma como este salva o progresso podem frustrar qualquer um e é um aspeto um pouco negativo acerca desta secção. Deste modo, atribuo às jogabilidade e combate do Returnal um 8,2 em 10 valores.

Ambientação — impressionante, muito detalhada e tenebrosa

Outro aspeto que tem de ser avaliado nesta análise é a ambientação do Returnal que, tal como os dois últimos aspeto, é também um aspeto muito forte e importante em ter em conta neste título exclusivo PlayStation 5. Por este título se passar numa região muito diferente a comparar com outros títulos do mercado é óbvio que todos já estamos à espera de um mundo totalmente novo e diferente e, de facto o Returnal entrega a todos os jogadores um mundo incrível para estes se aventurarem na pele de Selene.

Como já referi anteriormente, a narrativa de Returnal passa-se num planeta alienígena desconhecido que, à primeira vista, apresenta um aspeto tenebroso e bastante sombrio. As áreas que o fazem ter este aspeto são uma floresta que parece não ter fim, imensas ruínas e estátuas de uma raça alienígena que há muito se extinguiu, muito principalmente devido a todas as criaturas horripilantes e mortíferas que se encontram neste planeta assustador. A acompanhar estes arrepiantes cenários temos ainda uma noite infinita e um nevoeiro no ar.

Apesar da ambientação de Returnal ser bastante tenebrosa e horripilante, os cenários que constituem a mesma são de veras impressionantes e revelam o trabalho árduo da Housemarque para com este título. Todos estes são extremamente lindos e deslumbrantes, possuindo imenso detalhe e, apesar de cenários irreais, muito realismo, algo demonstrado pela chuva a cair do céu, pelo próprio terreno, seja este construído ou natural, e pelo nevoeiro que paira no ar e, a maneira como todos estes elementos naturais atuam na ambientação e no mundo de Returnal é simplesmente magnífico.

Em relação a elementos construtivos no título, como templos, ruínas e estátuas acontece exatamente o mesmo que acontece com a floresta interminável e os elementos naturais. Estes apresentam imenso detalhe e, a forma como interagem com os elementos naturais e a maneira como estes estão dispostos nos cenários revela a procura de um alto realismo na ambientação por parte do estúdio, o que é um aspeto muito positivo do Returnal.

Para terminar, tenho a dizer que a Housemarque é de veras um impressionante estúdio de videojogos, tendo conseguido criar uma das ambientações mais impressionantes, tenebrosas, detalhadas e incríveis que eu já vi na minha vida. Desde a floresta que parece não ter fim aos templos e ruínas de uma raça que à muito desapareceu, a ambientação de todos estes espaços juntamente com os elemento naturais presentes no jogo é de veras magnífico, atribuindo assim 10 de 10 valores a esta espetacular ambientação.

Qualidade gráfica e desempenho — fascinantes graças à PS5

Antes de dar o veredito acerca deste magnífico título, temos ainda de falar acerca da qualidade gráfica e do desempenho do mesmo. Normalmente, estes não são pontos muito fortes numa análise porque existem imensos títulos muito adorados por todos cujos gráficos e até mesmo o desempenho não são os melhores mas, visto que o Returnal é um exclusivo PlayStation 5, é de esperar que a qualidade gráfica e o desempenho do mesmo sejam os melhores que se conseguem no novo sistema da Sony.

A PlayStation 5 é um sistema de nova geração com uma enorme capacidade de processamento que consegue elevar a qualidade gráfica de cada jogo rodado na mesma e, como é óbvio, o Returnal aproveita ao máximo o poder da mesma. Este é um título bastante pesado que roda bastante bem na consola e, em termos de fps, este consegue manter um bloqueio de 60fps grande parte do tempo, tendo algumas quedas de 10fps nos momentos mais intensos do título.

Para além disto, reparei que, após algumas horas de jogo seguidas, o Returnal começa a apresentar alguns problemas em termos de performance, começando a lagar um pouco, algo que pode incomodar imensos jogadores. De maneira a resolverem isto, basta reiniciar o título mas, como o Returnal apenas grava o progresso quando se chega a momentos importantes da narrativa, que são poucos, muitos jogadores podem vir a perder parte do seu progresso de maneira a resolverem este problema de performance.

Apesar disto, as qualidade gráfica e desempenho de Returnal são de veras fascinantes, apesar deste problema, graças à potente PlayStation 5 pois, sem esta, este título só poderia existir nos computadores e, isto explica o facto do título não estar presenta na PlayStation 4 como outros exclusivos PlayStation 5. Deste modo, atribuo 9,2 em 10 valores às qualidade gráfica e desempenho que são de veras fascinantes graças à PS5.

Veredito — o melhor título já desenvolvido pela Housemarque

Para terminar esta análise, falta apenas dar-lhe a minha opinão final, ou seja, o meu veredito. Como dá para perceber, este título é de facto um excelente exclusivo PlayStation 5 que revela que a Housemarque é um estúdio de videojogos muito capaz e, com este título este estúdio consegue provar à indústria dos videojogos o seu verdadeiro valor e potencial.

Antes de terminar, gostaria de agradecer à PlayStation Portugal pela oportunidade de poder jogar este título em primeira porque este é de veras incrível e, ao mesmo tempo gostaria de agradecer também à Housemarque pelo fantástico título que entregou a todos os jogadores PlayStation e, gostaria também de lhes dar os meus parabéns pelo excelente trabalho que fizeram no desenvolvimento do Returnal.

Para concluir, acho que não há muito mais a dizer mas, mesmo assim, gostaria ainda de acrescentar que o Returnal é de facto um maravilhoso e incrível título e que a PlayStation fezmuito bem em apoiar o mesmo. Este tem aspetos positivos e alguns negativos mas, de um modo geral, desde a sua narrativa, passando pela jogabilidade e combate e vendo ainda a sua ambientação e qualidade gráfica, o Returnal é de facto o melhor título já desenvolvido pela Housemarque e um excelente exclusivo PlayStation 5, atribíndo-lhe uma pontuação final de 9 em 10 valores.

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