Análise de Yakuza: Like a Dragon — redenção em estilo RPG

A série Yakuza é da autoria de uma das equipas de R&D CS da Sega, que mais tarde foi nomeada como o Ryu Ga Gotoku Studio e passou a ser também conhecida internamente como a Sega CS Research and Development No1.

O título mais recente da série é Yakuza: Like a Dragon que foi batizado com o nome japonês da mesma, Ryu Ga Gotoku que significa literalmente “Como um dragão”, partilhando assim o nome não só com as versões japonesas mas também com o próprio estúdio que o desenvolveu.

O novo jogo da franquia já tinha sido lançado no Japão em janeiro, no entanto só chegou às lojas internacionais no passado dia 10 de novembro. Desconhece-se a verdadeira razão para esta enorme diferença entre datas de lançamento mas um dos fatores poderá ter sido a tradução completa de japonês para inglês.

Enredo

O enredo do jogo é muito característico do país de onde é originário, existindo assim um conjunto de ação, drama e comédia; tratando-se assim de uma mistura muito encontrada em séries de anime, criando uma ótima adição para quem gosta deste género.

A ação decorre em várias localizações japonesas dentro e fora da região de Kanto, sendo as mais proeminentes o distrito de Kamurocho, uma versão fictícia do distrito Kabukicho em Tóquio, e ainda a cidade portuária de Yokohama, que apresenta o maior mapa de todas as localizações presentes no jogo.

A história segue Ichiban Kasuga, um novo personagem que que contrasta bastante com o clássico e mais sério Kazuma Kyriu. Ichiban é um membro da família Arakawa do clã Tojo, sendo extremamente leal à família e ao patriarca Masumi Arakawa, que para o nosso personagem é como um pai. No entanto na noite de ano novo do ano 2000 o capitão da família Arakawa assassina um membro do clã Tojo e quando confrontado com o sucedido Ichiban oferece-se para ser preso no lugar do seu superior.

Quando Ichiban é libertado o ano é 2019 e iremos então entrar numa viagem de redenção  contra a família que outrora nos acolheu ao mesmo tempo que o nosso personagem se adapta a um mundo alterado pelos hábitos e tecnologia mais recentes. Seremos também acompanhados de três personagens com origens muito diferentes entre si e com reações diferentes ao que vai acontecendo durante a história.

Durante várias vezes Ichiban ou os seus colegas de equipa irão citar metáforas baseadas na franquia Dragon Quest. Um detalhe bastante interessante que funciona como uma espécie de mensagem para os jogadores saberem que este título da série tem mais elementos RPG do que os anteriores.

A história em si proporciona grandes momentos de diversão e traz-nos ainda missões secundárias, chamadas de sub-histórias, que nos envolvem na resolução dos mais variados problemas ou no encontro de vários personagens muito diferentes entre si, acabando por oferecer mais tempo de jogo mas também situações extremamente ridículas que nos fazem largar a rir. O estilo da aventura de Ichiban em tornar-se um herói é uma já muito conhecida, no entanto é feita de uma forma bastante diferente e cativante.

Jogabilidade

Yakuza: Like a Dragon apresenta um novo sistema de combate, misturando combate por turnos e ação dinâmica em que cada encontro funciona como uma luta de rua mas cada participante tem de esperar pela sua vez.

Os ataques também variam bastante de personagem para personagem, devido ao passado e função de cada um e estão divididos em diversas categorias sendo que uns são apenas habilidades de apoio ou de efeito nas estatísticas. Tais ataques são desbloqueados através da progressão na história, da simples progressão de nível de personagem ou até ao consumir as diversas refeições existentes no jogo.

A progressão de nível não é apresentada como algo muito difícil de evoluir ao contrário de outros jogos RPG, e uma das razões poderá ser o facto do jogo estar muito mais focado na história, sendo possível evoluir facilmente os níveis de personagem ao jogar a história sem completar qualquer outra atividade. Apesar de só jogarmos como Ichiban, também subimos os níveis dos nosso colegas de equipa através dos métodos já referidos.

A alimentação também tem um papel importante pois restaura pontos de saúde ou de magia nos personagens e o jogo possuí uma variedade enorme de produtos que são encontrados em lojas e restaurantes muito diferentes uns dos outros. As lojas oferecem produtos próprios para serem utilizados individualmente por cada personagem através do inventário, já os restaurantes permitem a compra de menus ou combinações que restauram todos os personagens na equipa assim que a compra é feita, além disso todos os restaurantes possuem um menu especial próprio. Esta funcionalidade demonstra a dedicação do estúdio para os detalhes presentes no jogo que são muito bem-vindos pela comunidade.

Ambiente

O jogo passa-se em 2019 com um pequeno segmento passado entre 2000 e 2001 e como já referido a ação decorre em várias localizações japonesas um pouco fictícias mas fielmente recriadas em relação às suas versões reais.

Os segmentos de mundo aberto não apresentam mapas muito grandes criando assim a oportunidade para uma vasta quantidade de detalhes presentes em cada rua e ainda muitas lojas com interiores detalhados e prontos para explorar. Cada rua é diferente sendo que modelos e texturas repetidas são mais difíceis de encontrar do que noutros jogos de mundo aberto.

As ruas também oferecem o típico ambiente de uma rua urbana japonesa com multidões de transeuntes que navegam por todo o lado. Sim isso mesmo, como os mundos não são tão pesados no motor de jogo a Ryu Ga Gotoku Studio teve oportunidade de criar multidões de personagens I.A. que oferecem a sensação de ruas extremamente movimentadas, que é mais aparente em ruas principais do que em ruas secundárias ou becos.

Gráficos e motor de jogo

O Dragon Engine é o motor utilizado, e é possível perceber que a Ryu Ga Gotoku não o quis utilizar ao seu potencial máximo devido ao risco que correram ao desenvolver as novas mecânicas de jogo implementadas neste título.

No entanto o motor também tem os seus problemas, um em específico é a transição de jogo para cutscene em que o jogo trava durante cerca de 2 segundos até a cutscene começar, sendo que hoje em dia já não é um limite de motor muito aceitável. Outro pequeno problema é o facto de personagens I.A. ativarem a animação de “serem empurrados” sem que o nosso personagem lhes toque ou esteja muito próximo.

Já os gráficos demonstram uma pequena falta de potencial visto que outros jogos do género já apresentam uma qualidade gráfica superior. Sendo que o estilo do jogo é baseado em anime 3D, os gráficos poderiam ter uma qualidade superior que hoje em dia é quase obrigatório que os motores de jogo a consigam suportar.

Conclusão

Yakuza: Like a Dragon como qualquer outro jogo não é perfeito, mas oferece horas de diversão como uma história cativante ao estilo japonês. Apesar de ter algumas falhas, especialmente ao nível do motor, o jogo não deixa de impressionar e consegue deixar-nos pegados ao ecrã durante uma boa tarde.

Um pequeno detalhe que gostaria de fazer notar é a tradução de japonês para inglês, visto que o estúdio não só gravou vozes inglesas e escreveu legendas mas também foi ao ponto de animar novamente os personagens de forma a terem os lábios sincronizados com as suas vozes inglesas. Temos assim a oportunidade de jogar com vozes e bocas sincronizadas tanto em inglês como em japonês. No entanto, eu próprio recomendo que se jogue com as vozes em japonês visto que estas dão um aspeto e experiência que a versão inglesa não consegue transmitir tão bem.

Para quem nunca experimentou um JRPG, Yakuza: Like a Dragon é um ótimo ponto de partida e dá à franquia um novo aspeto. No entanto, se a Ryu Ga Gotoku Studio decidir continuar por este caminho então é de notar que a margem para melhoria deverá ser utilizada de forma mais proeminente.

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