Análise de The Last of Us: Parte II — o derradeiro sucesso! (Com vídeo do Gameplay)

A série The Last of Us não é uma novidade no mundo dos videojogos. Bem conhecida do público, regressa ao mercado com uma sequela do título original — seguindo a narrativa a partir do ponto deixado no primeiro título.

The Last of Us II como fica conhecido, permite uma abordagem ao cenário pós-apocalíptico da proliferação de uma doença fúngica que afeta o ser humano transformando-o num morto-vivo. Dada a forte concentração e descontrolo da doença, a humanidade tem perdido a esperança no encontro de uma cura, que se tem mostrado distante. É nesta incessante procura que vemos um ponto de partida para a motivação de toda esta narrativa.

A parte II leva-nos pelo território dos Estados Unidos, começando em Jackson, cidade de Ellie e Joel, passando maior parte do seu tempo na cidade de Seattle. Esta aventura ou desventura vivida faz-nos repensar a forma como vemos a vida em sociedade. Jogar este jogo foi uma experiência fantástica para nós, tendo seguindo a par e passo, cada detalhe criteriosamente desenvolvido pela equipa da Naughty Dog.

Análise em vídeo

Narrativa

O ponto forte deste jogo é, sem sombra de dúvida, uma história de sobrevivência e vingança, onde somos confrontados com uma realidade a qual não estamos habituados a lidar de forma tão dramática no dia-a-dia. The Last of Us II passa-se cinco anos depois do seu antecessor após os eventos ocorridos em Jackson e a libertação de Ellie do hospital, onde estava a ser preparada uma intervenção cirúrgica a fim de ser encontrada uma cura para a doença — um dos principais objetivos da fação “Pirilampos“.

A magnificência do enredo e da estrutura do jogo permite até mesmo aqueles que não jogaram o primeiro jogo, entender a história por detrás da série, e alguns dos eventos ocorridos em The Last of Us. O empenho da equipa tem sido sempre a aposta na exploração de cenários alternativos para cada situação, mostrando a possibilidade de subverter determinada expetativa ou cenário futuro em algo totalmente imprevisível. Ao longo de toda a campanha somos presenteados com flashbacks dos diversos personagens, que ajudam na construção de toda esta narrativa.

“É uma emotiva narrativa que nos arrasta física e emocionalmente com ela, horas a fio”.

Os personagens evoluem, nomeadamente a Ellie, que lida com um confronto interno de aceitação e descoberta pessoal ao qual acumula diversos acontecimentos no desenrolar da história que só poderão saber ao jogar, onde pela primeira vez na série, não vemos apenas um ponto-de-vista, mas sim, diferentes perspetivas que permitirão aos mais “distraídos” aperceber-se dos dois lados de uma complexa, emocionante e dramática história.

Estamos perante um contexto histórico em que é demonstrada a ilimitabilidade da capacidade humana em sobreviver num mundo, onde a ameaça é constante. Ficamos presos a uma narrativa que parece que não queremos que termine, por tão tocante e imersiva que consegue ser, prendendo os jogadores a um enredo que se enquadra como um tema principal e não o de lidar com um surto descontrolado. Não estranhe se sentir aquela lágrima no canto do olho em determinadas situações.

“The Last of Us II mostra-nos uma história intrinsecamente ligada à essência narrativa da série e que não ficou esquecida após sete anos”.

Jogabilidade

O jogo regressa sete anos depois com um motor gráfico extremamente otimizado para esta geração de consolas. Não esquecendo que The Last of Us foi lançado inicialmente para PlayStation 3 e que foi apenas remasterizado para a atual geração de consolas, pelo que as naturais limitações físicas da anterior geração eram óbvias.

O fundamental regressou ainda mais aperfeiçoados dados os novos horizontes concretizáveis da PlayStation 4. Os movimentos estão suaves ao ponto de podermos comparar com o RAGE da Rockstar Games e que nos tem habituado a jogos extremamente fluídos. Enquanto no primeiro título de The Last of Us, o personagem recolhia objetos dos cenários onde se encontrava, mas estes tinham fracas animações, a Parte II vem trazer talvez uma das melhores animações de recolha de objetos — onde é possível mesmo ver o personagem a adaptar a sua forma de agarrar face ao tamanho e design do equipamento, colocando-o no seu inventário, seja dentro da mochila ou fora dela.

O modo de combate corpo-a-corpo foi notoriamente melhorado, permitindo agora lutas mais realistas e duradouras. O botão “L1” permite agora esquivar-se dos seus inimigos ou infetados muito mais facilmente, evitando por exemplo ser imediatamente eliminado por um clicador ou perseguidor (ameaças mais perigosas e mais abundantes).

“O conceito de planeamento tático foi elevado a outro nível com a série The Last of Us, mas sobretudo com esta sequela”.

Mais uma vez, este jogo demarca o exemplo com a constante transição entre cut-scenes de uma forma bastante suave e agradável permitindo ao jogador participar da ação em qualquer momento, mesmo que seja de forma limitada. As suas decisões encontram frequentemente um ou mais destinos do seu natural percurso. Quando não é pretendida a presença ou foco em determinado rumo do jogador, o jogo faz questão de o mencionar quer com animações ou presença de uma elevada densidade florestal ou de outros elementos bucólicos para que procure outra abordagem.

A inteligência artificial dos personagens foi claramente melhorada e, para mim, este é um dos jogos em que os personagens são irritantemente inteligentes, se é que me entendem. Qualquer indício que possam dar da nossa passagem pelo cenário podem e são levados em consideração pelo algoritmo de raciocínio do jogo. Claro, existe uma certa liberdade para o jogador ultrapassar e escapar a isto, como o sinal de alerta que fica audível quando nos aproximamos de um ângulo de visão dos personagens. Cada fação tem uma abordagem diferente à deteção do inimigo que começará a perceber a partir do momento em que jogar (caso seja um principiante nesta série). Os personagens secundários que podem acompanhá-lo neste desafio revelam também algumas melhorias, mas face ao seu objetivo de seguir ou serem seguidos assumem por vezes alguns problemas na hora de fazer as coisas de uma maneira um pouco mais silenciosa.

O ambiente e os personagens interagem entre si de forma bastante realista, cada vez mais, consoante a dificuldade sentida. Posto isto, poderá tirar partido dos diversos elementos do cenário em proveito próprio e de forma inteligente, ou poderá ser surpreendido pelo inimigo. Poupe as suas balas, pois pode parecer que as encontra sempre que quer, mas olhe que não é sempre assim e poderá dar-se mal nos cenários e situações de maior aperto.

Inimigos

Entre as mais diversas adversidades, a Ellie depara-se com todo o tipo de inimigos, seja infetados (que não são poucos) às diversas fações que se atravessam no seu caminho. Os Washington Liberation Front (WLF) que são uma fação militarmente organizada são informalmente apelidados de “Lobos” e fazem-se acompanhar de cães de guarda. Por outro lado, os “Serafitas” que são conhecidos, fora da sua comunidade por “Cicatrizes” e seu aspeto peculiar.

Os “Lobos” são uma grande ameaça para Ellie, especialmente pelo facto de Abby pertencer a essa fação. Ellie também é referida pelos “Serafitas” como “loba”, porque para eles, todos são lobos, não perdem tempo a encontrar nomes. Os lobos, dado o seu conhecimento militar também são os que estão mais bem armados e numa posição estratégica maior, possuindo o controlo de diversos territórios.

Os “Cicatrizes“, por sua vez, profundamente devotos de uma religião e sacerdotisa radical, sendo avessos a tudo o que os lembra do mundo tecnológico em que viviam, sobrevivem na simplicidade e recusam tudo o que venha do “mundo velho“. O arco e flecha e as armas brancas são as suas principais defesas e ataque. Conseguimos ser bastante afetados por uma seta que nos seja lançada.

“Os infetados são maravilhosamente mais assustadores que o primeiro título The Last of Us”.

Os “Corredores” são infetados que foram expostos ao fungo numa primeira fase ou que se viram mordidos por outros seres contaminados. Os “Perseguidores” constituem um tipo de infetado que este em contato direto com esporos e à semelhança de outros animais reveste-se num casulo fúngico para se desenvolver e atacar (quando menos esperar). Esta espécie é extremamente inteligente, pelo que, ao contrário de ser atraído pelo som, recorre à sua perceção sensorial para se guiar através da visão e perseguir um jogador sorrateiramente até surgir a derradeira oportunidade para atacar.

Os “Clicadores“, são uma transformação bizarra de “Corredores” ou de alguns “Perseguidores” e são considerados a segunda fase da infeção e mostra uma espécie, cujo corpo se encontra mais preso e onde a cabeça está transformada numa espécie de flor carnívora.

Os “Tropêgos” são um elemento generalista que designa dois grandes tipos de espécies, os “Bloaters” e os “Shamblers” que estão numa terceira fase de infeção, uma das mais raras. O primeiro The Last of Us abordava apenas a espécie “Bloaters” que eram e são trôpegos violentos que mal chegam perto da personagem pela lei da força assassinavam-no partindo a cabeça ou as mandibulas. Agora, os “Shamblers” recorre a uma espécie de toxina envoltas em pústulas que são lançadas contra os personagens e a queima até à morte face à sua toxicidade (como a de um ácido).

The Last of Us II está replete destas criaturas, ainda em maior abundância do que o seu antecessor e numa dificuldade maior. Existindo ainda uma quarta espécie de criatura que terá de descobrir quando jogar. De forma semelhança a outros títulos, existem hordas ocasionais de perseguidores que o atacam nas piores ocasiões possíveis.

Qualidade gráfica — a melhor da geração?

The Last of Us marcou a geração PlayStation 3, pelos gráficos e texturas impressionantes. Mais tarde, com a sua remasterização para PlayStation 4, permitiu a inúmeros jogadores aderir a uma grande comunidade de fãs. Agora, com The Last of Us II estaremos perante o derradeiro jogo da geração?

Muito provavelmente, este será o jogo da geração. Digno de comparar com um Red Dead Redemption II, que foi considerado um dos jogos cujo grafismo e ambientação representaram um dos melhores jogos da geração. Agora, dois anos após esse feito e sete depois do lançamento de The Last of Us para PS3, chega-nos The Last of Us II que traz consigo uma incrível otimização em termos de performance e qualidade gráfica, superando sem qualquer dúvida grandes jogos triple-A do mercado.

Não sendo um jogo perfeito, porque julgo que não o haja, existem pequenos problemas que não afetam em nada a jogabilidade ou performance. A título de exemplo, muitos dos problemas ocorridos com alguns dos reviewers mais conhecidos não se sucederam. Encontrei, porém, pequenas falhas quase ridículas de serem apontadas, como uma falha ou outra da renderização de texturas ou um arbusto ultrapassar uma parede — nada de extraordinário.

“The Last of Us II eleva o poder da atual geração a novos e extraordinários limites”.

Os personagens caminham numa trajetória de fotorrealismo, pelo menos, nas cut-scenes, tanto é que, mesmo durante os momentos em que jogamos com os personagens, notamos que o aproveitamento de performance é tão grande que a textura destes personagens performance realista, mais de que cut-scenes de alguns jogos, o que é no mínimo irónico.

A abordagem no mundo semiaberto permitiu, ao estilo de, por exemplo, The Division, criar ruas extremamente detalhadas, onde cada elemento foi criteriosamente desenvolvido e pensado. Os objetos foram criados para cada cenário, pelo que, basta ver os créditos finais onde se vê a quantidade de designers de cenários existentes na equipa. Não negamos a existência de repetições, mas foram feitas de forma tão inteligente que permanecem praticamente impercetíveis.

As técnicas de iluminação demonstram que mesmo sem a presença de ray-tracing se consegue realismo na aplicação de efeitos de luz aos cenários, bem como, o contraste com a escuridão proveniente de espaços desprovidos de luz — conseguindo alcances dinâmicos bastante precisos.

Ambientação

The Last of Us II tem uma das melhores ambientações deste gênero de jogos, e em particular, de títulos de mundo aberto. A vegetação, os ciclos climáticos e as transformações dentro do espaço-tempo revelam um excelente planeamento estratégico e roteiro.

Arrisco-me a dizer que este título tem uma das ambientações mais dinâmicas num cenário pós-apocalíptico. Proeza semelhante apenas foi conseguida com Days Gone (em termos climáticos). A equipa da Naughty Dog foi exímia neste quesito durante toda a série, em especial, nesta sequela que trará consigo muita emotividade e momentos bastante tensos.

“Tudo tem um propósito em The Last of Us II. Surgem oportunidades de ouro para a inclusão de elementos que tornam a experiência fantástica e divertida”.

Os campos ou espaços relvados, onde a relva é mais elevada permitem abordagens mais silenciosas, no entanto, espaços mais degradados e chuvosos com diversos resíduos podem destabilizar esta estratégia face ao ruído gerado, como o simples ato de pisar um vidro. Mesmo em modo silencioso, os inimigos conseguem detetar a nossa presença, especialmente se forem cães — fator extremamente realista.

Seja qual for a dificuldade selecionada, o jogador deve gerir bem os seus materiais, pois apesar de algumas situações existirem uma abundância de equipamentos e suprimentos, noutras nem tanto.

Veredito

O título, The Last of Us II, sai a 19 de junho para PlayStation 4 e PlayStation 4 Pro, pelo que tivemos hipótese de o jogar e elaborar uma análise, durante as últimas semanas. A espera de 7 anos valeu sem dúvida a pena, pois permitiu o aperfeiçoamento técnico e narrativo, com o estrondoso enredo.

The Last of Us II trouxe consigo uma agradável nostalgia a esta série que tanta adrenalina e apaixonantes momentos me proporcionou. Todos os personagens não jogáveis têm nomes próprios, o que é incrível, ao vermos outros personagens clamarem pelo nome do seu quando o eliminamos.

São estes detalhes que tornam este jogo especial. Mantenha a sua atenção a todos os detalhes das cenas que observa. Explore todos os recantos da área onde se encontra, pois, os colecionáveis são uma realidade e dão troféus (que os pode exibir orgulhosamente). Além disso, assim como os nomes, os personagens também têm características muito próprias. Mesmo que em alguns momentos o jogador se perca na história, é facilmente retomado o fio da miada, mantendo o jogador preso até ao fim. São este tipo de coisas que contribuem para o fascínio da comunidade e que a equipa de desenvolvimento usa para a cativar.

Apesar dos momentos extremamente viciantes em que não queremos parar, seguem-se momentos de acalmia que permitem recuperar o fôlego e encaixar cada momento da história. É nestes momentos que arranjamos tempo para apreciar diversos objetos decorativos fazem referência ao início do surto, em 2013, — calendários, fotografias, cartas, PlayStation 3 e até uma PS Vita, encontrámos.

Por agora, devemos usufruir dos modos de dificuldade mais difíceis em que pudemos utilizar tudo o que foi desenvolvido na primeira vez que passámos o jogo e continuar a busca por um rumo para toda a narrativa que poderá vir a descobrir. Gostava ainda de agradecer a oportunidade de testar e avaliar este magnifica título, The Last of Us II que apenas foi possível graças ao trabalho conjunto do Mais Tecnologia e da PlayStation Portugal que permitiram umas fantásticas 25 a 30 horas de um jogo simplesmente estupendo.

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