Análise de Mafia II: Definitive Edition — uma remasterização interessante

A série Mafia é da responsabilidade dos antigos estúdios Illusion Softworks (atual 2K Czech) e, no que diz respeito ao terceiro título da série, do estúdio Hangar 13. O primeiro título foi lançado em 28 de agosto de 2002, na época para PlayStation 2, Xbox e PC, tendo-se revelado um sucesso face ao volume de cópias vendidas.

O título Mafia II foi, mais tarde, em 2010, novamente um sucesso de vendas, após o lançamento a 27 de agosto do mesmo ano. Há quem diga que este foi o derradeiro título da série de mundo aberto. Mafia III não teve o mesmo impacto que os seus antecessores, entre a comunidade dos videojogos, tendo sido mal recebido face às inúmeras falhas técnicas e práticas em relação a, por exemplo, Mafia II — tendo sido removidas funcionalidades consideradas cruciais.

Agora, a 15 de maio de 2020, a 2K revelou que se encontrava a desenvolver Mafia Trilogyque consistia na remasterização dos Mafia II e III, numa fase inicial e, num remake de Mafia I para a atual geração de consolas. Poucos dias depois, a distribuidora e produtora já tinha inúmeras reservas previstas. Até ao momento, a produtora já tinha vendido 3 milhões de cópias de Mafia I, 5 milhões de Mafia II e 7 milhões de Mafia III.

Campanha, a história in-game

Mafia II demonstra aquilo que muitos jogos deviam de ser, rico em toda a sua história, caracteriza muito bem aquilo que foi a sociedade norte-americana durante os anos de 1945 e 1951, no pós-segunda guerra mundial.

O título localiza grande parte da sua ação em Empire Bay, uma cidade fictícia a este dos Estados Unidos, onde um conflito entre três famílias italianas que ambicionam ter o domínio do crime organizado naquela cidade, os leva por diversos incidentes marcantes em toda a história. As famílias Falcone, Vinci e Clemente demonstram uma realidade paralela aos acontecimentos que ocorriam por todo o estado norte-americano. Vito Scaletta é a nossa personagem principal — com o qual passamos alguns dos melhores momentos neste jogo.

O título original, tinha como ponto forte a sua história, com a remasterização, toda esta incrível encenação recebeu o crédito e a qualidade da atual geração que verdadeiramente merecem.

Basicamente, a história começa com Vito Scaletta, em 1943, em conjunto com Joe Barbaro (grande amigo de Vito) num assalto a uma joalharia, onde por infelicidade tiveram o azar de serem vistos por um agente da autoridade que os tenta intercetar e, onde Vito acaba por ser apanhado. Visto que os Estados Unidos se encontravam a participar na segunda guerra mundial, Scaletta só teve duas hipóteses: ou entrava na guerra; ou ia preso. A combater na Sicília, Vito é ferido gravemente em combate e é forçado a retornar a casa — já muito perto do final da guerra, em 1945. Quando regressa, descobre que o pai deixou uma grande dívida para a sua família, levando a que Vito ingressasse novamente no mundo do crime, só que desta vez, para ajudar a sua mãe e irmã que estão a ser ameaçadas por não pagarem a dívida.

É a partir deste ponto que a campanha se desenvolve mergulhando numa complexa narrativa pseudo verídica da década de 40 e 50 no Estados Unidos da América — onde vemos um Vito preocupado e determinado em levantar a família da situação (cada vez mais assombrosa em que se encontravam). Revemos um Joe mais ardiloso após se meter com a Mafia.

Ao que à história diz respeito, não existe muito a apontar à 2K Games que se limitou a passar para este novo título reformulado, aquilo que de melhor tinha na sua narrativa. Não haja dúvidas que esta remasterização trouxe um novo fôlego a Mafia II — cujo motor gráfico já era bastante avançado na altura e que, ainda hoje, se mantém mais ou menos atualizado.

Ambientação

Mafia II, ambientado na década de 40 e 50 possuí todos aqueles traços mais incríveis que estamos apenas habituados a ver em filmes ou documentações histórias — do tempo dos nossos avós e que, por vezes, nem eles tinham visto.

O período invernal de fevereiro é bastante caracterizado através dos cenários repletos de neve e ainda, em alguns casos, vestígios da época natalícia em alguns espaços mais desatualizados, onde se percebe o abandono ou atraso face ao espaço temporal do resto da cidade. A iluminação, algo melhorada nesta nova remasterização do sucesso de 2010, faz transparecer, em conjunto com texturas mais atuais, o verdadeiro potencial deste jogo em matéria de complexidade das diversas estruturas: como casas, prédios e até estruturas fabris.

O mundo aberto, complexo, mas equilibrado permite ter a perceção do que seria o movimento nas ruas nova-iorquinas. O próprio comportamento das personagens (condutores e peões) é naturalmente compreensível nas mais diversas situações — como é o caso de um peão simplesmente atravessar uma estrada fora da passadeira ou um condutor não travar a tempo e atropelar um peão ou bater noutro veículo. A própria forma dos diversos veículos e pessoas reagirem à mão humana é curioso, pois falamos de um motor gráfico de um jogo de 2010.

Os diversos espaços encontram-se devidamente caracterizados e com aspetos únicos, abdicando do tradicional aproveitamento de edifícios como se fossem objetos. Tudo nos parece diferente, passando ao longo de toda a cidade de Empire Bay. Claro está que não quererá dizer que a equipa não terá feito aproveitamentos em termos de textura e design para outros locais do jogo, porque é perfeitamente legítimo — a fim de poupar recursos e espaço.

Assim como acontece, por exemplo, com a série Grand Theft Auto, os edifícios, os personagens, os transeuntes e outros elementos dentro do jogo, demonstram o forte trabalho da equipa de desenvolvimento em apostar na diversificação das suas características trazendo consigo toda um história (que mesmo não sendo nova) ganhou um carinho especial pela comunidade — que ao vê-la renovada, dá um novo alento aos jogadores que ainda recuperam de algumas desilusões de Mafia III.

Qualidade Gráfica

O segundo título, agora remasterizado, da série Mafia cumpre com componente de melhoria gráfica e de texturas, apresentando-se como um jogo com características atuais, mas com problemas da geração passada. Falamos de um título mal otimizado mas com melhorias incríveis seja na iluminação, como nos detalhes dos personagens e veículos.

Para quem não jogou o primeiro título, este tem todas as potencialidades para esse tipo de jogador. A retoma de uma narrativa antiga repleta de pequenas histórias pode ser bastante interessante para todos os apaixonados por jogos single-player.

Detalhes como as marcas deixadas na neve ou como o simples ato de pegar num item deixado no cenário durante uma missão são apenas algumas das notórias melhorias permitidas pela remasterização, no entanto, existem ainda coisas que não são compreensíveis, como quando nos preparamos para colocar combustível num carro, termos de aguardar por um loading screen para vermos efetivamente o funcionário a coloca-lo no automóvel — o que poderá ter a ver com a equipa apenas se ter preocupado com a remasterização e não com a introdução de novos e discretos elementos no motor gráfico.

As diferentes perspetivas de jogo, permitem em todos os cenários deparar-se com os novos detalhes (que apenas foram possíveis) com a qualidade que esperamos de um título triple-A na atual geração. Contudo, parece que as mecânicas não acompanharam essa evolução, que podia ter sido aperfeiçoada antes de o lançar para o público, ainda para mais para as consolas.

A título de exemplo, nós no MaisTecnologia, testamos o novo Mafia II: Definitive Edition num computador com um Intel i7, 8ª geração, com 16 GB de RAM e uma GTX 1060 6GB, que nos assegurou alguma qualidade quer gráfica, quer de fluidez proporcionada por uma eleva taxa de atualização (frames-per-second), no entanto, sentimos algumas quebras em certos momentos do jogo sem razão aparente, o que demonstra a franca má otimização, isto é ainda mais evidente nas consolas PlayStation e Xbox, e não é por falta de potência.

Jogabilidade

Para tristeza nossa, apesar de o jogo possuir um bom motor gráfico, essas vantagens não transpareceram para a nova geração com a introdução de inúmeros problemas de otimização, de desformatacão do áudio ou, em alguns casos, pequenos erros nas cutscenes.

Se dúvida que estamos perante um excelente trabalho de remasterização, mas ficamos por isso mesmo, pois no que ao resto diz respeito — a otimização, novas mecânicas e outros detalhes mais técnicos não mudaram de geração, continuando a parecer a geração passada, nesse aspeto.

Contudo, e apesar dos erros crassos que tem, continuo a apreciar mecânicas como as de manuseio das armas ou, por exemplo, a condução dos veículos que pode facilmente resolver utilizando um comando, no caso do PC, por exemplo. Por outro lado, temos ainda a inteligência artificial dentro do ecossistema do jogo — quando por exemplo, somos perseguidos pela polícia por infrações que fazemos enquanto estamos no trânsito é outro exemplo de coisas que continuam fantásticas, mesmo em 2020, quando vemos outros jogos em que a polícia por e simplesmente ignora ações que não seja contra eles ou que envolvam atentados à vida de outrem.

A narrativa de mais ou menos 15 horas funciona mais ou menos dentro do mesmo ciclo a que já nos habituaram tanto a 2K como a Rockstar Games, onde para fazer as mais diversas missões devemos ir ao encontro do chefe, procurar saber o que ele tem para nós e depois e seguir as pistas para a conclusão da missão — fácil e simples, no entanto, mais do mesmo (sem grandes liberdades para inventar).

Mesmo com os seus problemas, não deverá ser por eles que não conseguirá jogá-lo em condições, pelo menos, no PC. A componente gráfica e a narrativa serão decerto aquilo que o motivará a jogar.

Remasterização

O sucesso de Mafia II não é difícil de compreender, no entanto, a Definitive Edition apenas serva, na nossa opinião, para novos jogadores que não conheçam títulos anteriores a Mafia III ou quem desconheça a série por completo. Esta nova abordagem permite apenas usufruir de texturização e de uma qualidade gráfica mais atual, onde a jogabilidade permanece a mesma — pelo que, não deve julgar todo um jogo por esta componente.

O propósito da 2K foi colocar um ponto final nestes jogos, permitindo que possam ser jogados nesta e em futuras gerações (nomeadamente em computador), atualizando para a resolução padrão de 1080p e/ou 4K. Posto isto, só podem ser comparados títulos cujo alcance do trabalho feito pela equipa de desenvolvimento tenha sido em remakes de um jogo — pois é ai que são notórias as diferenças na jogabilidade a parte da qualidade gráfica.

Claro está que não podemos esquecer os problemas que Mafia II: Definitive Edition veio trazer no que diz respeito à performance global do jogo, nomeadamente nas consolas, com bloqueios constantes e muitos frame-drops.

Veredito

A trilogia da série Mafia pode ter começado um pouco atribulada, mas estamos certos que tem tudo para melhorar com Mafia: Definitive Editionum remake do título original que deu nome à série —, onde poderemos ver como uma reformulação do jogo poderá trazer novas mecânicas, uma ambientação mais rica, uma narrativa (talvez, mais atualizada e dinâmica) e sobretudo, uma maior experiência gráfica (esperemos) livre de problemas.

O jogo está disponível desde 19 de maio de 2020 para as atuais plataformas, PlayStation 4 e Xbox One e para PC (na Steam e na Epic Games), pelo que pode ponderar adquirir caso seja fã de jogos de mundo aberto de contextualização história, especialmente, nos Estados Unidos da América.

Aguardemos agora pela edição de Mafia: Definitive Edition que trará toda uma nostalgia do título original, pelo menos, assim esperamos que aconteça. Aproveitamos também para referir que com o lançamento de Mafia II: Definitive Edition saiu também conteúdo novo para Mafia III, com a Definitive Edition.

Gostava ainda de agradecer a InfoCapital por nos disponibilizar esta chave de acesso para Mafia II: Definitive Edition que proporcionou e continuará a proporcionar bons momentos de jogo abordo de uma história que ainda não acabou.

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