Análise ao Logitech MX Master 4: Review ao melhor mouse para trabalho
A família MX Master tem sido, durante anos, a “ferramenta de eleição” de quem vive agarrado ao computador: designers, developers, editores de vídeo, analistas de dados — e todos os que passam horas a fio num fluxo de trabalho onde o rato é protagonista. O Logitech MX Master 4 chega com a missão ingrata de melhorar um clássico sem o descaracterizar. Consegue?
Neste artigo encontras:
- Design e ergonomia: a mesma filosofia, mais maturidade
- Botões e scroll: silêncio, controle e… dois modos verdadeiros
- Sensor e desempenho: precisão de sobra para trabalho… e gaming casual
- Gestos e “Actions Ring”: atalhos que poupam tempo (e cabeça)
- Hápticos: discretos, mas certeiros (junto ao polegar)
- Logi Options+: personalização a sério (e SDK para apps)
- Conectividade: Bolt USB-C, BLE e multi-dispositivo
- Autonomia: longa na prática, carga “relâmpago” útil
- Nem tudo é perfeito: o que pode chatear
- Veredicto: um “sim” confiante
Na minha experiência, sim: mantém o ADN que o tornou famoso e polimenta os pontos certos com hápticos, gestos mais úteis e uma ergonomia refinada. Não é perfeito — e já lá vamos —, mas é o upgrade que o utilizador “power user” esperava.
Design e ergonomia: a mesma filosofia, mais maturidade
À primeira vista, o MX Master 4 é “um MX Master”. A concha continua grande e esculpida para destros, a encorajar uma pegada relaxada com a palma totalmente apoiada. O apoio do polegar é amplo e revestido a borracha, agora com um botão integrado reposicionado de forma mais natural. O corpo principal usa plástico ABS com textura discreta (adeus aos revestimentos soft-touch que, com o tempo, ficavam colantes ou brilhantes), e os botões superiores têm um acabamento mate translúcido que dá bom grip sem ser áspero.
A sensação geral é de sólida qualidade: nada range, não há folgas no scroll, e o ajuste da mão à carcaça parece milimetricamente afinado. O peso — ~150 g — assusta quem vem do mundo gaming ultraleve, mas em produtividade ajuda a precisão: os pés deslizam com suavidade, e o formato facilita levantar/assentar sem “perder o eixo”.
Pequeno detalhe que conta: o “pico” entre indicador e polegar, onde vive a roda horizontal, está melhor integrado. Não te obriga a “caçar” a roda — o polegar pousa e trabalha.
Botões e scroll: silêncio, controle e… dois modos verdadeiros
A Logitech domina o capítulo do scroll e aqui volta a mostrar porquê. A roda principal alterna entre modo por entalhes (ratcheted) — com um clique limpo entre “passos” — e modo livre — onde a roda gira quase sem atrito para varrer documentos longos. No modo livre há resistência q.b. para não sair disparado; no modo por entalhes, o feedback fica super definido, sem qualquer “borrachice”.
A roda horizontal (em alumínio) rola sempre suave, com mais resistência que a principal. Excelente para timeline de vídeo, planilhas largas, correção fina de kerning ou varrimento lateral de painéis. A textura estriada oferece o tato certo; o clique da roda ainda é audível (como em quase todas), mas sem ser estridente.
Os botões principais e a roda superior em “click” são quase silenciosos, com um ponto táctil nítido e retorno consistente. Os três botões laterais seguem a mesma linha: som discreto, curso curto, sem molas esponjosas. É aquele compromisso impecável entre feedback e silêncio que faz diferença em escritórios partilhados.
Sensor e desempenho: precisão de sobra para trabalho… e gaming casual
O sensor vai até 8.000 DPI, mas o valor real de conforto em produtividade anda bem abaixo disso. O importante: durante os testes não houve skips, micro-tremuras, nem “perdas de tracking”. Funciona em vidro fosco e transparente sem dramas — um daqueles pormenores que te salva numa mesa de sala ou numa sala de reuniões.
Para gaming competitivo, a limitação está menos no sensor e mais na taxa de polling: o MX Master 4 mantém os 125 Hz (125 atualizações por segundo), quando os ratos gaming já navegam nos 1000–8000 Hz. Dá para jogar? Claro — RPGs, MMOs, estratégia, roguelikes, indie —, mas não é feito para FPS competitivo ao mais alto nível.
Gestos e “Actions Ring”: atalhos que poupam tempo (e cabeça)
A família MX sempre viveu de gestos. No Master 4, a Logitech mudou o botão de gesto do “tapete” do descanso do polegar para um botão lateral dedicado: mais ergonómico e intuitivo. Por defeito, tens:
-
Pressionar + deslizar esquerda/direita: alternar áreas de trabalho (eu mapeio para alternar apps, que me é mais útil);
-
Pressionar + deslizar para baixo: minimizar janelas;
-
Pressionar + deslizar para cima: abrir pesquisa do sistema.
A grande novidade, porém, é o Actions Ring: um menu circular com oito nós que surge com o botão embutido no apoio do polegar. Cada nó pode ser um comando direto (multimédia, macros, atalhos de teclado) ou uma pasta com vários. Podes ainda mostrar info contextual (hora/data) e widgets (cronómetro, contador de BPM). Isto, bem configurado no Logi Options+, transforma tarefas repetitivas em dois gestos fluidos.
Depois de um dia a afinar o Actions Ring para o meu fluxo (Zoom/Meet, Figma/VS Code, Notion, Desktops), dei por mim a usar menos o teclado para atalhos e a navegar mais leve. A sensação de “clicar-deslizar-confirmar com haptic” cria um ritmo natural.
Hápticos: discretos, mas certeiros (junto ao polegar)
O feedback háptico estreou-se na linha e está bem implementado. É uma vibração suave concentrada na zona do polegar, que confirma gestos e a abertura do Actions Ring. Tens quatro níveis (Subtle, Low, Medium, High) e podes desligar globalmente ou por função. Não “apanha” o cursor, não distrai — confirma sem invadir.
Nota: de origem, os hápticos só acompanham gestos/Actions Ring (acessíveis pelo polegar). No Options+ consegues mapear vibração para outros botões, mas a sensação perde naturalidade porque o motor fica… no polegar. Eu deixei apenas nos gestos, onde faz todo o sentido.
Logi Options+: personalização a sério (e SDK para apps)
O Logi Options+ continua a ser dos melhores softwares de personalização:
-
Remapeias praticamente tudo;
-
Criares macros complexas;
-
Associas perfis por app (Adobe, navegadores, editores);
-
Integras hápticos com apps suportadas;
-
E, para developers, há SDK para integrar feedback em software de produtividade (potencialmente também jogos, se alguém apostar nisso).
O resultado é simples: é o teu rato. O meu perfil no Premiere/DaVinci não tem nada a ver com o de VS Code ou Figma. E é suposto.
Conectividade: Bolt USB-C, BLE e multi-dispositivo
A Logitech abandona USB-A no dongle: o Logi Bolt passa a USB-C, usando uma variação BLE mais robusta que 2,4 GHz genérico. O Master 4 emparelha por Bluetooth ou por dongle, e alterna entre vários dispositivos no botão inferior. Na prática, a ligação foi estável mesmo em ambientes “cheios”.
Importante: é um rato 100% sem fios. O cabo USB-C serve só para carregar (podes usar enquanto carrega). Em máquinas sem Bluetooth e sem USB-C livre para o dongle, ficas limitado. Em 2025 é cada vez menos um problema, mas em setups legados pode pesar.
Autonomia: longa na prática, carga “relâmpago” útil
A marca fala em até 70 dias por carga, no entanto estes dado é para a utilização das funcionalidades todas, nomeadamente o haptic. Ora, para quem não sua o haptic, quando tempo terá? 3 meses ou mais? Simplesmente incrível!
Há ainda fast charge simpático: 1 minuto à tomada rende +/- 3 horas de uso. Ideal para “ups, esqueci-me de carregar antes da reunião”.
Nem tudo é perfeito: o que pode chatear
-
125 Hz de polling: perfeitamente aceitável para trabalho, curto para gaming competitivo.
-
Estética: o visual “MX Master” tem fãs (eu) e haters. É funcional; não é “discreto”.
-
Hápticos só no polegar: faz sentido no gesto; menos se tentares mapear para outros botões.
Veredicto: um “sim” confiante
O Logitech MX Master 4 não reinventa a roda — afina-a. A forma é mais confortável, o scroll continua rei, os hápticos dão um toque “vivo” sem gimmick, e o Actions Ring com gestos melhorados poupam cliques e minutos todos os dias. O software continua a ser referência e a reparabilidade é uma lufada de ar fresco.
Prós
-
Botões responsivos e silenciosos; scroll impecável (livre e por entalhes)
-
Gestos e Actions Ring realmente úteis; hápticos bem calibrados
-
Sensor preciso (até 8.000 DPI), tracking em vidro
-
Logi Options+: personalização profunda + perfis por app + SDK
-
Autonomia muito longa, fast charge funcional
-
Reparabilidade acima da média; parafusos acessíveis, peças previstas
Contras
-
125 Hz polling limita ambições de gaming competitivo
-
Sem modo com cabo (wireless only)
-
Hápticos localizados no polegar: menos naturais se mapeados a outros botões
-
Estética “MX” pode não agradar a todos
Se já tens um MX Master 3S impecável e não sentes falta de gestos/hápticos, não és obrigado a correr para o upgrade. Mas se o trabalho é o teu “jogo” e queres a melhor ferramenta de produtividade sem sacrificar conforto e silêncio, o MX Master 4 é, hoje, o rato a bater.











Sem Comentários! Seja o Primeiro.