Durante anos, a Samsung lutou para transformar a sua ambição em resultados na corrida aos nós mais avançados. O arranque do 3 nm não convenceu muitos clientes e o mercado continuou concentrado na TSMC. Porém, o cenário está a mudar com o processo de 2 nm. Grandes marcas, em busca de capacidade adicional e de um segundo fornecedor credível, começaram a olhar para a Samsung com outros olhos.
Segundo a imprensa sul-coreana e várias fontes do setor, Tesla e Apple já terão acordos robustos com a fabricante, inclusive com produção prevista para instalações no Texas. Agora, tudo indica que a AMD pode juntar-se à lista.
Porque é que o 2 nm da Samsung está a ganhar tração
A grande diferença face ao 3 nm é a maturidade do ecossistema. A Samsung afinou bibliotecas, ferramentas EDA e fluxos de co‑design, melhorou o rendimento (yield) e investiu em capacidade em sítios estratégicos. A adoção de transístores Gate‑All‑Around (GAA) no 2 nm promete ganhos de eficiência energética e desempenho, e a variante de alto desempenho do nó conhecida no setor como SF2P foi desenhada a pensar em workloads intensivos, como CPUs de alto desempenho e aceleração de IA.
Para clientes de topo, a estabilidade de calendário, a previsibilidade do rendimento e a disponibilidade de packaging avançado são tão importantes como o próprio nó. É aí que a Samsung está a recuperar terreno: mais linhas qualificadas, cadeias de fornecimento diversificadas e uma proposta clara de custo/benefício num momento em que a TSMC opera perto do limite.
AMD a diversificar fornecedores: estratégia e oportunidade
A AMD é um dos maiores designers de chips do mundo, mas não tem fábricas próprias. A dependência quase exclusiva da TSMC trouxe‑lhe benefícios claros, porém a procura global por CPU, GPU e chips de IA explodiu. Com a TSMC a gerir filas de encomendas históricas, a AMD procura redundância, margem de negociação e capacidade para acelerar roadmaps. É aqui que entra a Samsung Foundry.
De acordo com relatórios da Coreia do Sul, as duas empresas estão a fechar um acordo para fabricar um CPU de 2 nm no processo SF2P. Um elemento-chave do plano é o recurso a wafers multi‑projeto (MPW): várias empresas partilham a mesma bolacha de silício para protótipos e fases iniciais, reduzindo custos e acelerando a validação. Se os resultados corresponderem às expectativas, a transição para produção em volume será mais rápida e financeiramente eficiente.
O que é o SF2P e porque interessa para CPUs
SF2P é, em termos simples, a “sabor” de 2 nm voltado para performance. Com bibliotecas de maior velocidade, foco em interconexões otimizadas e opções de voltagem que privilegiam frequências mais altas, este processo encaixa no perfil de CPUs de topo desde PCs e portáteis “AI‑ready” até servidores.
Em conjunto com técnicas modernas de empilhamento e packaging avançado, o SF2P pode oferecer melhor densidade e eficiência por watt, algo crucial para data centers e para a nova vaga de PCs com aceleração de IA local.
Calendário e impacto: tudo a apontar para 2026
Os relatos indicam que a AMD e a Samsung pretendem formalizar o contrato até janeiro de 2026. É um horizonte realista para concluir a fase de MPW, ajustar o design com base nos primeiros resultados e preparar linhas de produção. Se a encomenda avançar para volumes significativos, não será apenas uma vitória comercial: colocará a Samsung mais perto de fechar o fosso face à TSMC no segmento leading‑edge.
Para os consumidores europeus, o efeito é indireto mas bem-vindo. Mais capacidade significa menor risco de rutura, prazos de entrega mais curtos e potencialmente preços mais estáveis. Para a indústria, significa concorrência saudável, mais inovação e menor vulnerabilidade a choques geopolíticos.
Tesla, Apple… e agora AMD: a bola de neve da confiança
Quando nomes como Tesla e Apple escolhem um fornecedor, o mercado toma nota. No caso da Tesla, fala‑se de um acordo de muitos milhares de milhões para chips críticos da sua estratégia de condução assistida e IA automóvel. Quanto à Apple, várias informações dão conta de produção no Texas envolvendo chips de próxima geração. Estas decisões têm um efeito de “selo de qualidade” e ajudam a dissipar dúvidas sobre rendimento, consistência e suporte de longo prazo. A possível entrada da AMD criaria um círculo virtuoso: mais clientes âncora, mais volume, mais investimento e, por consequência, processos ainda mais competitivos.
TSMC continua líder, mas a janela de oportunidade existe
Nada disto retira mérito à TSMC, que segue como referência inquestionável em nós avançados. Contudo, a capacidade não é infinita. Em ciclos de picos de procura, é natural que a “overflow” encontre porto seguro noutros players. A Samsung posicionou‑se para ser esse porto, com o 2 nm como a sua prova de fogo. Se conseguir cumprir cronogramas, rendimento e custos, a indústria ficará menos concentrada e mais resiliente.
Fonte: Sammobile



































