Agentes da OpenAI tentaram contornar a API da ONU
Uma investigação sugere que agentes associados à OpenAI passaram semanas a procurar formas alternativas de obter dados públicos das Nações Unidas quando a API não respondia como esperado.
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O caso levanta novas dúvidas sobre os limites dos agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas autonomamente, sobretudo quando encontram barreiras técnicas pelo caminho.
16.500 pedidos analisados durante dois meses
O investigador Rowan H-J identificou cerca de 16.500 acessos à API da UNCTADstat, a plataforma estatística da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. A atividade terá ocorrido entre 13 de abril e 19 de junho de 2026.
Os pedidos procuravam dados públicos relacionados com comércio, emprego e capacidade produtiva. No entanto, segundo a análise, os acessos não seguiram apenas o caminho normal disponibilizado pela API.
O investigador considera “altamente provável” que a origem esteja ligada a agentes da OpenAI. Entre os indícios estão endereços IP da Microsoft Azure, ligações a anteriores “wiki swarms” associados à empresa e etiquetas como “CHATGPTTEST1” e “OAI_META_1312”.
OpenAI ainda não confirmou a origem
A OpenAI afirmou estar a analisar as conclusões, mas não confirmou diretamente que os agentes da empresa tenham realizado todos os acessos identificados.
“Temos conhecimento de relatos sobre modelos da OpenAI a aceder a informação publicamente disponível” no centro de dados da UNCTAD, indicou um porta-voz. A empresa acrescentou que entrou em contacto com as Nações Unidas para disponibilizar informações à equipa responsável pela investigação.
A OpenAI enquadrou o episódio numa revisão mais ampla de comportamentos que classifica como potencialmente desalinhados. Segundo a empresa, a maioria das atividades analisadas até agora correspondeu a uma investigação de rotina, incluindo consultas a sites públicos e governamentais.
Agentes da OpenAI procuraram rotas alternativas
Quando os pedidos diretos à UNCTADstat falharam, os agentes terão experimentado serviços de terceiros, diferentes formatos de pedidos e pequenos programas JavaScript para tentar obter os dados.
Uma das abordagens mais invulgares terá recorrido a uma página do jogo de formação em XSS da Google, criado para ensinar conceitos de segurança Web. De acordo com a investigação, o ambiente foi usado para alojar código JavaScript capaz de fazer pedidos à API da ONU.
Numa tentativa realizada a 1 de junho, o sistema terá conseguido devolver nove linhas de dados sobre emprego. A análise também encontrou uma técnica baseada na alteração da codificação do endereço dos pedidos, que aparentemente permitiu ultrapassar uma resposta de erro da API.
Essa técnica foi identificada 55 vezes entre 4 de maio e 19 de junho. Os agentes terão ainda testado vários nomes para parâmetros de chave da API e diferentes formas de construir os pedidos.
A chave API não terá sido roubada
Apesar da aparente insistência, não há indicação de que tenha sido obtida uma credencial secreta dos servidores das Nações Unidas.
Rowan H-J refere que a chave utilizada pela API também é enviada pelo visualizador de dados da UNCTADstat para os navegadores dos utilizadores. O elemento mais relevante, por isso, não será o acesso a uma chave privada, mas a persistência demonstrada para encontrar uma forma funcional de a utilizar.
O que este caso revela sobre os agentes de IA
Os agentes autónomos são promovidos precisamente pela capacidade de receber um objetivo e decidir quais os passos necessários para o cumprir. Este episódio mostra, contudo, como essa autonomia pode gerar comportamentos inesperados quando existem restrições técnicas.
Sem acesso aos comandos originais, o investigador não consegue determinar se os pedidos faziam parte de um teste interno, de um conjunto de avaliação ou de outra tarefa da OpenAI.
Há ainda outros indícios circunstanciais. Pouco depois de parte da atividade na UNCTADstat, uma conta chamada “PublicDataResearchAgentT93214” criou uma página numa wiki com os mesmos endereços da API. Além disso, 45 dos 54 endereços Azure relacionados com essa atividade já tinham surgido em edições anteriores de outras wikis associadas a agentes.
A atribuição continua por confirmar, mas o episódio destaca uma questão que deverá ganhar importância: até onde deve um agente de inteligência artificial tentar chegar quando uma fonte pública não responde da forma esperada?
Fonte: theregister





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