“admin” é a password mais usada em Portugal — e o problema é maior do que pensas
Se a tua palavra-passe é “admin”, temos de falar.
Neste artigo encontras:
- “admin” no topo em Portugal: o problema começa logo na porta de entrada
- Geração Z, Millennials, Boomers: todos igualmente maus
- Números, letras… e agora símbolos – mas quase sempre mal usados
- Porque é que isto interessa mesmo?
- O futuro é das passkeys — mas, até lá, a password ainda manda
- Como criar passwords fortes sem perder a sanidade
- Conclusão: a tecnologia evolui, os nossos hábitos nem por isso
Não é força de expressão: segundo o mais recente estudo anual da NordPass, essa é mesmo a password mais usada em Portugal em 2025, destronando a clássica “123456”. E se isto te faz revirar os olhos… ótimo. Mas também é bem provável que tenhas, algures por aí, uma password que não é muito melhor.
Vamos pegar nos dados, traduzi-los para linguagem do dia a dia e, sobretudo, perceber como é que continuamos a falhar num básico da vida digital: proteger as nossas contas.
“admin” no topo em Portugal: o problema começa logo na porta de entrada
A NordPass analisou as 200 palavras-passe mais comuns, a nível global e em 44 países. Em Portugal, o top 20 é um pequeno museu do horror da cibersegurança. Eis algumas das estrelas:
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admin
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123456
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123456789
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12345678
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12345
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password
… -
sporting
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benfica
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1qazxsw2
Ou seja:
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sequências numéricas triviais,
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a palavra “password” (com P grande ou pequeno, como se isso mudasse alguma coisa),
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clubes de futebol,
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e combinações de teclado óbvias como “1qazxsw2”.
Tudo isto são passwords que um atacante consegue testar em segundos com ferramentas automáticas. Não é necessário ser um génio do mal. Basta ser preguiçoso… como muitos de nós a criar passwords.
Geração Z, Millennials, Boomers: todos igualmente maus
Uma parte curiosa do estudo deste ano é a análise por gerações. Spoiler: ninguém sai bem na fotografia.
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Em todas as faixas etárias, “12345” e “123456” continuam a aparecer no topo.
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A diferença está mais no estilo do que na segurança:
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Gerações Z e Y (mais novas) raramente usam nomes; preferem coisas como “1234567890” ou palavras da moda tipo “skibidi”.
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A partir da Geração X para cima, começam a surgir mais nomes próprios nas passwords, muitas vezes de pessoas da família.
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Entre os Baby Boomers, o nome “Maria” é dos mais usados como password. Na Geração Silenciosa, aparece “Susana”.
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Ou seja, o tal “nativo digital” que cresceu com smartphone na mão não é, por si só, mais cuidadoso. Usa as mesmas más práticas, só que embrulhadas em referências mais modernas.
Números, letras… e agora símbolos – mas quase sempre mal usados
O estudo também detetou um aumento no uso de caracteres especiais. Este ano, 32 das palavras-passe mais comuns a nível mundial incluem símbolos, quando no ano passado eram apenas seis.
Boa notícia? Mais ou menos.
Na prática, a maioria é qualquer coisa como:
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P@ssw0rd -
Admin@123 -
Abcd@1234
Ou seja, continuam a ser padrões extremamente fáceis de adivinhar, só com uma maquilhagem ligeira: trocar “a” por “@”, “o” por “0”, adicionar “123” ao fim. Para um algoritmo de ataque, isto é básico.
Mais de metade das passwords mais usadas no mundo continuam a ser combinações diretas de teclado: “qwerty”, “1q2w3e4r5t”, “123456789” e por aí fora.
Porque é que isto interessa mesmo?
Porque, segundo a própria NordPass, cerca de 80% das violações de dados têm origem em palavras-passe:
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fracas,
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comprometidas,
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ou reutilizadas em vários serviços.
A equação é simples:
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Um site sofre uma fuga de dados.
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As tuas credenciais aparecem num conjunto de milhões de logins roubados.
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Alguém tenta as mesmas combinações em e-mail, redes sociais, banco, serviços de streaming, lojas online, etc.
-
Se reutilizaste a password… o resto faz-se sozinho.
E, no meio disto, não adianta muito culpar “hackers sofisticados” quando a password é “porta123” ou “jorge123456”.
O futuro é das passkeys — mas, até lá, a password ainda manda
É verdade que o mundo caminha para soluções sem palavra-passe, como as chaves de acesso (passkeys) baseadas em biometria (impressão digital, reconhecimento facial). Mas esse futuro ainda não é universal e, durante largos anos, vamos continuar a viver num cenário híbrido:
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algumas contas com login via passkey;
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muitas outras ainda dependentes de passwords clássicas.
Enquanto isso, as tuas melhores defesas continuam a ser boas palavras-passe, um gestor credível e autenticação multifator.
Como criar passwords fortes sem perder a sanidade
Vamos ao que interessa: o que é que podes fazer hoje para não entrar na lista das 200 piores?
1. Esquece “123456” e companhia
Regra de ouro: Se consegues dizer a tua password em voz alta sem te sentires minimamente ridículo, provavelmente é má.
Evita:
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sequências (
123456,abcdef,qwerty); -
nomes próprios simples (teus, de filhos, de parceiros);
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clubes, datas de nascimento, locais óbvios.
2. Usa frases-passe longas
Uma password forte não precisa de ser impossível de memorizar. Pensa em frases em vez de palavras:
- Gosto_de_café_ás_7h_da_manhã!
- O_meu_cão_adora_roubar_meias_#2025
Misturas:
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letras maiúsculas e minúsculas,
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números,
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símbolos,
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e ficas logo com algo muito mais difícil de quebrar.
Idealmente, fala-se em 20 caracteres ou mais.
3. Uma password por conta. Sempre.
Usar a mesma password em tudo é pedir problemas.
Regra simples: 1 serviço = 1 palavra-passe.
De outra forma, basta um único site ser comprometido para abrir a porta a todos os outros.
4. Usa um gestor de palavras-passe
Ninguém consegue inventar e decorar dez, vinte ou cinquenta passwords robustas. Por isso é que existem gestores de passwords:
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geram passwords aleatórias e longas;
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guardam-nas encriptadas;
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preenchem automaticamente nos sites e apps;
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avisam-te quando estás a reutilizar passwords ou se alguma foi exposta.
É aqui que ferramentas como a da NordPass se posicionam, mas o importante é escolheres um gestor fiável e passares a centralizar lá a tua “vida de logins”.
5. Ativa sempre a autenticação multifator (MFA)
Mesmo que alguém descubra a tua password, a MFA pode bloquear o acesso.
Pode ser:
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código via app
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chave de segurança física
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notificação push no telemóvel
Dá mais um clique, mas evita muitas dores de cabeça.
Conclusão: a tecnologia evolui, os nossos hábitos nem por isso
O estudo da NordPass mostra duas coisas ao mesmo tempo:
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Há sinais tímidos de evolução (mais caracteres especiais, alguma complexidade extra).
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Mas no essencial, continuamos agarrados a padrões frágeis, repetitivos e fáceis de explorar.
Não precisas de ser especialista em cibersegurança para melhorar radicalmente a tua proteção online. Basta:
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abandonares as passwords “preguiçosas”,
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começares a usar um gestor,
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ativares MFA onde for possível,
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e parares de achar que “isto nunca me vai acontecer”.
Porque, se a tua password ainda é “admin” ou “123456”, a verdadeira surpresa não é se um dia fores atacado.
É como é que isso ainda não aconteceu.





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