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Home/Gaming / Jogos/Activision responde à polémica de IA no Black Ops 7
Gaming / Jogos

Activision responde à polémica de IA no Black Ops 7

Tiago Carvalho
17 de Novembro de 2025 4 Min Read

G
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A conversa em torno de Call of Duty: Black Ops 7 ganhou um tom diferente nos últimos dias. Jogadores começaram a sinalizar várias imagens dentro do jogo sobretudo nos cartões de jogador (calling cards) que exibem um estilo visual que muitos associam a criações de IA generativa e a tendências recentes de “arte à la Ghibli” espalhadas pelas redes.

Neste artigo encontras:

  • O rastilho: cartões de jogador sob suspeita
  • A posição oficial: “usamos ferramentas, o jogo é feito por pessoas”
  • Por que é que isto irrita tanto os jogadores?
  • IA generativa nos AAA: eficiência, risco e reputação
  • O que seria uma boa prática de transparência
  • Três perguntas que a comunidade quer ver respondidas

A discussão explodiu de imediato: uns consideram isto um atalho criativo, outros veem uma inevitável evolução de ferramentas. No meio, fica a questão essencial: como garantir transparência e respeito pelo trabalho artístico humano num blockbuster com a escala de Call of Duty?

Segue-nos no Google News

O rastilho: cartões de jogador sob suspeita

Não foi uma cutscene, nem um modelo de arma. Foram pequenos elementos cosméticos que acenderam o pavio: cartões de jogador com composições, traços e texturas que lembram compilações geradas por IA.

A comunidade, sempre rápida a desmontar padrões, comparou pormenores e apontou inconsistências típicas de imagens sintéticas: iluminação irregular, contornos “plásticos” e uma fusão de estilos que não bate certo com a linguagem visual habitual da série. Independentemente da origem específica de cada imagem, o desconforto está instalado e é tanto estético como ético.

Activision responde à polémica de IA no Black Ops 7

A posição oficial: “usamos ferramentas, o jogo é feito por pessoas”

Perante a contestação, a editora respondeu salientando que recorre a uma variedade de ferramentas digitais, incluindo soluções de IA, para apoiar as equipas e acelerar processos garantindo, ao mesmo tempo, que o trabalho criativo é liderado por profissionais humanos. Há ainda um dado que passou relativamente despercebido: na página de Black Ops 7 no Steam surge uma nota a indicar que ferramentas de IA generativa ajudam a desenvolver alguns elementos do jogo. É uma admissão de princípio, ainda que pouco específica sobre onde e como a IA é aplicada.

Este tema também não surge num vácuo. Meses antes, a série já tinha enfrentado críticas por visuais associados a IA em Black Ops 6, incluindo um ecrã de carregamento com um “Pai Natal zombie” que a comunidade chamou de “AI slop”. E, entretanto, responsáveis criativos chegaram a afirmar que tudo o que entra no produto final é “tocada por humanos”, admitindo que eventuais ocorrências com IA teriam sido “acidentais” e sem intenção de substituição de artistas. A cronologia, porém, deixou mais perguntas do que respostas.

Por que é que isto irrita tanto os jogadores?

– Autenticidade e identidade visual: Call of Duty construiu, ao longo de anos, uma “linha editorial” estética. Quando surgem elementos que parecem sair de um gerador indiferenciado, a coesão sofre e os fãs notam.
– Valorização do trabalho artístico: há um sentimento generalizado de que a IA, quando usada sem critérios claros, pode desvalorizar o contributo de artistas e ilustradores que dão alma ao universo do jogo.
– Confiança e transparência: notas vagas sobre o uso de IA não chegam. O público quer saber onde a tecnologia entra, que revisão existe e que responsabilidade é assumida quando algo passa o crivo.

IA generativa nos AAA: eficiência, risco e reputação

Não é segredo que a produção AAA vive sob prazos agressivos e uma pressão contínua para entregar conteúdos sazonais. É aqui que a IA promete ganhos: variações rápidas, concept art exploratória, thumbnails para brainstorms. O problema surge quando a linha entre “apoio ao processo” e “conteúdo final” se esbate.

Além da discussão artística, há impactos reputacionais e potenciais questões legais quando estilos reconhecíveis são replicados sem autorização explícita ou quando datasets de treino são opacos. Para uma marca de massas, um erro visual pode custar semanas de confiança e confiança é difícil de recuperar.

O que seria uma boa prática de transparência

Se as grandes editoras querem usar IA sem incendiar a comunidade, há caminhos práticos:
– Sinalização no jogo: indicar claramente, num menu de créditos ou galeria, que tipo de ferramentas foram usadas e onde.
– Critérios editoriais públicos: publicar guidelines de arte que proíbam levantar estilos de estúdios reconhecíveis e que imponham revisão humana qualificada para qualquer asset potencialmente gerado por IA.
– Processo de revisão e remoção: comprometimento explícito em rever, substituir ou retirar conteúdos contestados, com prazos definidos.
– Comunicação de pipeline: explicar que a IA é usada para prototipagem e iteração, e o que é ou não permitido chegar ao build final.
– Apoio a artistas: garantir que a IA não substitui cargos, mas sim liberta tempo para trabalho de maior valor acrescentado.

Três perguntas que a comunidade quer ver respondidas

– Que percentagem de assets de Black Ops 7 tem intervenção de IA e em que categorias (apenas cosméticos? interfaces? promoções)?
– Como funciona o “gatekeeping” artístico: quem dá o ok final, com que critérios e que ferramentas de deteção/revisão são usadas?
– Que passos concretos serão dados para substituir conteúdos que a comunidade identifica como gerados por IA de forma inadequada?

Fonte: Ign

Etiquetas

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Tiago Carvalho

32 anos, apaixonado por tecnologia e inovação. Gosta de se manter ativo através do desporto e valoriza um estilo de vida equilibrado. É uma pessoa alegre, divertida e sempre pronta para novos desafios e experiências.

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