“A inteligência artificial deixou de ser o futuro para ser o presente” diz José Leitão, da Samsung, ao Mais Tecnologia
Na IFA 2025, em Berlim, a Samsung destacou a aposta estratégica na inteligência artificial (IA) aplicada ao dia a dia, com especial enfoque na “casa inteligente”. José Leitão, Deputy Head of Digital Appliances. Obrigada da marca, sublinhou que o objetivo passa por adaptar a IA às rotinas de cada consumidor, desde máquinas de lavar que ajustam automaticamente os ciclos até fornos que conciliam inovação com poupança energética. A sustentabilidade é outra prioridade, visível tanto na eficiência dos equipamentos como na utilização de materiais recicláveis.
Questionado sobre os desafios da adoção da tecnologia, José Leitão reconheceu que “ainda custa um bocadinho a entrar na vida das pessoas”, mas garantiu que a Samsung está empenhada em mostrar os benefícios concretos da IA. “Estamos a trabalhar cada vez mais para que o consumidor entenda as vantagens da inteligência artificial, confie e não pense que é só um conceito vago”, afirmou, acrescentando que a segurança dos dados, através de soluções como o Knox Vault, é um dos pilares da marca.

Daniela Azevedo – Na conferência de imprensa da Samsung [a 4 de setembro, na IFA, Berlim], podemos ver muitas das novidades que estão a apresentar, onde a inteligência artificial, de facto, parece estar a ser uma aposta forte. Uma vez que a IA já não é o futuro, é o nosso presente, como é que a Samsung está a está a incorporar nas nossas vidas?
José Leitão, Deputy Head of Digital Appliances, da Samsung – Um dos principais focos desta feira é realmente a inteligência artificial, porque é com ela que as pessoas vão viver no futuro. Agora o que nós queremos fazer é adaptar a inteligência artificial à casa de cada um. Se o objetivo principal da IA é facilitar a vida das pessoas, pretendemos adaptar o ambiente da casa e os eletrodomésticos que as pessoas têm. Cada um de nós tem o seu modo de vida, as suas rotinas no dia a dia, e temos as ferramentas que podem facilitar muito essas tarefas diárias. Nós temos, por exemplo, máquinas de lavar roupa que ajudam a detetar o nível de sujidade das peças, o peso, e tratam da lavagem. Os fornos, ao mesmo tempo que trazem inovações, também trazem poupanças ao nível energético; ao nível de eficiência energética. Uma das preocupações da marca também é a parte da sustentabilidade e trazer cada vez produtos mais eficientes e mais sustentáveis para o futuro.
DA – Essa preocupação com o ambiente e com o meio que nos envolve está patente na vossa “casa inteligente”, que também foi apresentada aqui na IFA?
JL – Sim, exatamente. Nós, em todos os produtos, temos uma grande preocupação com a sustentabilidade, logo desde a questão dos materiais utilizados, que são cada vez mais feitos a partir de materiais recicláveis, e também nos temos vindo a focar bastante na poupança energética que, basicamente, tem duas vertentes: a poupança da vida do módulo em si e a poupança para o consumidor, porque poupa dinheiro ao fim do mês. Quanto mais eficientes forem os produtos, menos energia gastamos, e menor será a pegada ecológica que deixamos na nossa atividade no final do dia.
DA – Foi inevitável nestes dias que aqui passámos convosco na IFA, perceber que vocês têm um ambiente de trabalho extremamente saudável, extremamente descontraído. Aproveitava também para perguntar se, no seio da Samsung, há a preocupação de que a inteligência artificial possa afetar as rotinas de trabalho sem que isso implique despedimentos?
JL – Nós encaramos a inteligência artificial, cada vez mais, como um suporte. Hoje em dia, a inteligência artificial está a entrar nas nossas vidas muito rapidamente e está a ser uma evolução visível a todos os níveis, tanto ao nível dos equipamentos com que nós produzimos, como ao nível do tipo de trabalho que fazemos. A inteligência artificial tem de ser incorporada no nosso dia a dia porque ela está aí; é uma realidade a que nós não conseguimos, nem queremos, fugir. Ou seja, nós tanto estamos a inovar nos produtos que produzimos ou a incorporar a IA para facilitar a vida dos nossos consumidores para levar a maior poupança, como também estamos a incorporá-la na nossa maneira de trabalhar e nas nossas ferramentas de trabalho, de modo a conseguirmos produzir mais e melhor. Muitas vezes usamo-la para nos ajudar a otimizar a nossa maneira de trabalhar.
DA – Aliada a estas evoluções todas está sempre a questão da ética e, acima de tudo, da segurança. E também aqui vimos que pelo menos a segurança está a ser uma grande prioridade para a Samsung com o Knox Vault. Como como é que a ética e a segurança estão presentes nestas novidades que estão a chegar ao mercado?
JS – A parte da segurança dos dados, da segurança das informações pessoais, é um dos pilares da Samsung. O Knox Vault é o nosso sistema de segurança que incorporamos em todos os equipamentos por essa ser uma das principais preocupações que temos, porque a inteligência artificial vive da informação que nós fornecemos, vive dos nossos dados, das nossas rotinas e alimenta-se disso para otimizar os nossos equipamentos.
DA – São a nossa moeda de troca…
JS – Precisamente! É por isso que essa informação tem de estar segura. A Samsung tem dedicado muito do seu esforço e muita da sua inovação na parte da segurança dos seus equipamentos.
DA – Voltamos à questão da “casa inteligente” que aqui vimos. Do ponto de vista regulatório, poderá haver alguns desafios no implementar destas casas em Portugal, na nossa legislação ou não?
JS – As tecnologias de IA estão completamente reguladas e nós temos toda a parte da segurança coberta e acautelada, daí que, em termos de legislação, não há quaisquer constrangimentos.
DA – Como é que tu, José Leitão, na tua vida privada, te apercebeste ou quando é que apercebeste que não ias conseguir escapar de ter inteligência artificial a fazer parte da tua vida?
JS – Eu acho que foi crescendo em mim [risos] só que, lá está, foi um crescimento muito rápido. Desde logo com o aparecimento de ferramentas como o Chat GPT e depois com a própria Samsung a evoluir. De repente, talvez em dois anos, a inteligência artificial passou de um mero conceito para estar perfeitamente integrada na nossa vida. Quando eu entro no carro de manhã, já falo para o meu telemóvel e peço-lhe que me veja qual é o melhor caminho para ir para o trabalho. Chego lá e tenho IA em todo o lado porque já temos muitas ferramentas que funcionam assentes nela. E, por outro lado, também me sinto um privilegiado porque estou neste meio e sou obrigado a perceber mais sobre como as coisas estão a evoluir e como nos podem ajudar mais. Sou um evangelizador da inteligência artificial porque muitas vezes sou eu que desafio os meus amigos a familiares a experimentarem novidades e a verem se se aplicam a eles. Porque, afinal, as nossas máquinas só têm valor se facilitarem a vida de quem as usa. Não vale a pena gastarem dinheiro num equipamento que depois fica num canto e ninguém usa.
DA – Quais são os maiores desafios hoje que a Samsung enfrenta para que a vossa tecnologia seja plenamente adotada pelos consumidores e vista como algo concreto e confiável?
JS – Estamos a trabalhar cada vez mais para que o consumidor entenda as vantagens da inteligência artificial, confie, e não pense que é isto da IA é só um conceito vago, porque como é uma coisa recente, ainda custa um bocadinho a entrar na vida das pessoas, mas, na verdade, aconteceu assim com todas as tecnologias: desde que surgem até à sua verdadeira adoção, demora sempre um bocadinho mais.
DA – Que balanço a Samsung faz da sua presença na IFA de Berlim?
JS – Queremos ir ao encontro das necessidades dos consumidores e acho que o trabalho de comunicação que aqui fizemos ajuda o público a ver a nossa marca como um parceiro no dia a dia.




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